Aeris ganha fôlego judicial para reestruturar dívidas e manter operações.
A fabricante de pás eólicas Aeris conquistou uma importante vitória judicial que suspende, por 60 dias, quaisquer ações de cobrança e execução de suas dívidas. A medida, concedida em caráter liminar, visa proteger o processo de negociação em andamento com seus credores, conduzido sob a mediação da Associação dos Advogados de São Paulo (CMAASP).
A companhia ressalta que esta suspensão é temporária e crucial para criar um ambiente propício à continuidade das discussões financeiras. A Aeris assegura que suas operações seguirão sem interrupções, reafirmando o compromisso com seus clientes, fornecedores e demais parceiros comerciais.
O cenário financeiro da empresa tem sido desafiador, com uma dívida líquida total de R$ 1,9 bilhão ao final do segundo trimestre, um aumento de 19,2% em comparação ao mesmo período de 2025.
Deste montante, aproximadamente R$ 1,8 bilhão é referente a dívidas financeiras, incluindo R$ 1,2 bilhão em debêntures e cerca de R$ 600 milhões em empréstimos bancários com instituições como BV, BNDES, BNB, Banco do Brasil e Santander.
Renegociação e Melhoria Estrutural
Em comunicação com o mercado, a diretora financeira da Aeris, Cristiane Barreto Salles, já havia sinalizado a busca por alternativas para otimizar a estrutura de capital da empresa.
Uma ação significativa nesse sentido ocorreu em maio de 2025, quando a companhia firmou acordos para o refinanciamento de suas dívidas. Essa iniciativa resultou no alongamento dos prazos de pagamento e na diminuição da pressão financeira de curto prazo, renegociando cerca de 90% do endividamento total.
Os novos termos dos acordos preveem o pagamento trimestral de juros remuneratórios a partir de março de 2027. Os juros acumulados durante os anos de 2025 e 2026 serão incorporados ao saldo principal da dívida e amortizados conforme o cronograma estabelecido, com parcelas trimestrais com início previsto para dezembro de 2027.
A gestão da Aeris atribui parte de seu desempenho a um cenário econômico e setorial desfavorável. A indústria eólica, em particular, tem enfrentado uma redução considerável na demanda nos últimos anos, culminando no cancelamento de contratos.
A alta taxa da Selic também contribuiu para agravar a situação, impactando a viabilidade de novos projetos e elevando o custo de manutenção da dívida da empresa. A recente decisão judicial representa, portanto, um fôlego essencial para que a Aeris possa reorganizar sua situação financeira e traçar um caminho mais sustentável para o futuro.

















