O debate sobre o leilão de gás natural da União ganha contornos críticos com a visão do CEO da Edge, Demétrio Magalhães, que aponta possíveis perdas para o mercado.
A recente estrutura de leilões de gás natural da União, delineada pela Resolução 15/2026 do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), tem gerado discussões acaloradas no setor. O foco principal recai sobre a destinação prioritária do gás à indústria de base, uma decisão que, segundo o executivo-chefe da Edge, Demétrio Magalhães, pode limitar o potencial de crescimento e competitividade do mercado livre de gás natural no Brasil.
Em participação no podcast gas week, Magalhães expressou sua preocupação com a exclusividade do leilão para segmentos específicos, defendendo uma abordagem mais inclusiva. Ele ressaltou que a atuação de comercializadoras, como a Edge – que faz parte do grupo Cosan e lidera o mercado livre em número de clientes –, é fundamental para impulsionar a livre concorrência.
Desafios à livre concorrência no setor de gás
A visão de Magalhães é clara: todos os agentes do mercado deveriam ter a oportunidade de participar dos leilões do gás da PPSA (Empresa Brasileira de Administração de Petróleo e Gás Natural). A atual resolução estabelece que apenas o excedente não contratado pela indústria de base poderá ser comercializado para outros consumidores livres, comercializadores, transportadores e distribuidoras.
Para o CEO da Edge, essa limitação representa uma perda para o dinamismo e a eficiência do mercado.
Agenda regulatória e o futuro do mercado de gás
A entrevista com Demétrio Magalhães também abordou a estratégia da Edge em relação aos futuros leilões de gas release. Ele confirmou o interesse da empresa em participar de todas as oportunidades de originação de gás natural, mas alertou para a necessidade de cautela na calibragem do programa de desconcentração do mercado.
A preservação da produção própria da Petrobras, ao mesmo tempo em que se pode ceder volumes de gás importado, exige um equilíbrio para evitar insegurança regulatória e riscos a novos investimentos no setor.
Magalhães também comentou positivamente os avanços da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) na redução de custos de acesso a infraestruturas de gás, como escoamento e processamento. Contudo, ele reiterou a importância de se respeitar contratos e leis para garantir um ambiente de negócios seguro e previsível.
O potencial do mercado livre e do gás off-grid
O mercado livre de gás no Brasil, atualmente movimentando cerca de 16 milhões de m³/dia, tem projeção de crescimento para perto de 20 milhões de m³/dia até o final de 2027. No entanto, a grande aposta para expansão reside no segmento off-grid.
A Edge já detém quatro contratos neste nicho, totalizando 200 mil m³/dia, com parcerias estratégicas no transporte pesado e no fornecimento para a indústria. Este modelo é visto como um vetor poderoso para disseminar a cultura do gás em todo o país.





















