Consumidores da CEEE-D, no Rio Grande do Sul, podem enfrentar um aumento de 22,31% nas contas de luz. O reajuste proposto pela Aneel coloca a distribuidora entre as tarifas mais caras do país.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) iniciou, nesta segunda-feira (24), o processo de revisão tarifária periódica para a CEEE-D, distribuidora sob comando da Equatorial Energia. O índice médio sugerido para o reajuste é de 22,31%, um patamar que acende o alerta para os mais de 2 milhões de clientes atendidos pela concessionária gaúcha.
Caso se confirme, a tarifa residencial da companhia passará a figurar entre as mais elevadas do território brasileiro.
A proposta entra agora em fase de debate com a sociedade. O período de consulta pública ocorrerá entre 26 de agosto e 9 de outubro, incluindo uma audiência presencial em Porto Alegre, agendada para o dia 8 de outubro.
A expectativa é que o novo custo da energia entre em vigor no final de novembro deste ano.
Impacto direto no orçamento familiar
Os usuários conectados em baixa tensão — categoria que engloba a grande maioria das residências — devem sentir um reflexo ainda maior, com previsão de alta de 24,24%. Para o segmento de alta tensão, a estimativa atual é de 15,88%.
Se mantidos estes números, o valor do megawatt-hora residencial saltará para R$ 1.018,52, aproximando a distribuidora da marca atingida pela Enel Rio, que detém atualmente a tarifa mais salgada do Brasil.
O diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, demonstrou cautela ao avaliar o cenário desenhado. Durante a reunião de diretoria, ele comentou:
O índice levado à consulta pública é um reajuste um pouco fora da curva, o que demanda uma análise detalhada e possíveis revisões pela agência antes da decisão final.
O que compõe o novo custo
O cálculo do aumento é complexo e envolve uma combinação de fatores. O reajuste é puxado tanto pela atualização dos custos operacionais e administrativos (Parcelas A e B), que representam 12,92 pontos percentuais do impacto.
Quanto por componentes financeiros previstos para o próximo ciclo, que adicionam mais 12,01 pontos.
Entre os itens da Parcela B, destaca-se a remuneração de capital, que saltou 68% em relação aos valores vigentes, refletindo os investimentos recentes realizados pela Equatorial Energia na rede elétrica.
Por outro lado, a Aneel impôs um corte de 5% nos custos operacionais da empresa por considerá-los acima dos níveis de eficiência necessários, o que ajudou a mitigar minimamente o repasse final.
Herança da crise climática
Um dos fatores mais relevantes na composição do reajuste é a recomposição de valores diferidos em 2024.
Naquele ano, o Rio Grande do Sul foi severamente afetado por eventos climáticos extremos, o que levou a distribuidora a adiar parte dos custos tarifários para não onerar de imediato o consumidor em um momento de vulnerabilidade.
Essa fatura pendente, somada à Conta de Compensação de Variação de Valores (CVA), compõe grande parte do peso financeiro sobre a conta.
O setor elétrico aguarda agora a conclusão da consulta pública para entender se, após a validação final da Aneel, o índice de 22,31% sofrerá ajustes que tragam um alívio ao bolso do consumidor gaúcho.























