O programa de crédito Move Motoristas enfrenta baixa adesão, com apenas uma pequena parcela dos R$ 30 bilhões liberada, levantando preocupações sobre a renovação da frota nacional até setembro.
Mais de 30 dias após o anúncio oficial, a iniciativa do governo federal voltada à renovação da frota de transporte individual apresenta resultados tímidos. O projeto, que destina R$ 30 bilhões para facilitar o acesso de taxistas e motoristas de aplicativo a veículos mais eficientes, liberou apenas R$ 2,2 bilhões, correspondendo a apenas 7,3% do montante total disponível.
O cenário de estagnação gerou um alerta imediato no Planalto. Com a vigência da Medida Provisória encerrando-se em 15 de setembro, o governo intensifica as articulações para agilizar a concessão de crédito. O objetivo central é renovar carros obsoletos por modelos mais econômicos, como o Polo, Onix e HB20, além de estimular a transição para a mobilidade elétrica, representada por sucessos de mercado como o BYD Dolphin Mini.
Obstáculos que travam o acesso ao crédito
Embora as condições oferecidas sejam atrativas — financiamento de até R$ 150 mil, ausência de entrada, 72 meses para quitação e seis meses de carência — os motoristas relatam dificuldades severas. A burocracia excessiva das instituições financeiras e o receio de contrair dívidas de longo prazo em um setor de renda variável têm desmotivado a adesão.
O presidente Lula da Silva já cobrou uma postura mais ativa de ministérios e bancos públicos. Existe a percepção de um descompasso entre a política pública desenhada para baixar os custos operacionais da categoria e a rigidez na aprovação de cadastros por parte dos bancos.
“A discrepância entre o volume de recursos reservados e a realidade financeira de quem vive ao volante expõe a necessidade de flexibilizar as exigências das instituições credenciadas antes que o prazo da medida se esgote.”
Perspectivas para a frota nacional
Com taxas de juros que variam entre 11,5% e 12,6% ao ano, o programa tenta equilibrar o custo do crédito com a necessidade urgente de modernização dos veículos nas ruas. Contudo, relatos de exigências indevidas e negativas constantes nos pedidos de financiamento seguem sendo os principais gargalos.
O sucesso da proposta depende agora de uma resposta rápida das instituições financeiras para destravar o fluxo de capital. Caso as barreiras burocráticas não sejam rompidas nas próximas semanas, a meta de renovação da frota corre o risco de não ser atingida, comprometendo uma das maiores apostas do governo para o setor de energia e logística de transporte em 2024.























