A energia elétrica deixou de ser apenas uma despesa operacional no campo. Com a modernização do agronegócio, o consumo energético tornou-se um fator determinante na produtividade e rentabilidade por hectare, exigindo uma gestão estratégica e profissionalizada.
A energia elétrica consolidou-se como um dos principais insumos na moderna produção agrícola. Com o avanço tecnológico, que trouxe a popularização da irrigação, sistemas de armazenagem de grãos, refrigeração e automação, o gasto energético passou a influenciar diretamente a estrutura de custos de uma propriedade rural, impactando diretamente a rentabilidade final do negócio.
Entretanto, apesar dessa relevância, a gestão nas fazendas ainda é, em muitos casos, rudimentar. O monitoramento frequentemente se limita à comparação entre a conta de luz atual e a anterior, ignorando variáveis críticas como horários de pico, demanda contratada e a sazonalidade inerente às atividades no campo.
A energia como insumo estratégico
A dependência de fontes energéticas está presente em quase todas as etapas da cadeia produtiva, desde o bombeamento de água até a climatização de granjas e o processamento de produtos perecíveis. Segundo Gustavo Sozzi, CEO da Lux Energia, essa realidade exige uma mudança de mentalidade imediata.
“A energia deixou de ser apenas uma conta que chega no fim do mês. Em propriedades com irrigação, refrigeração ou armazenagem, ela está diretamente ligada ao volume produzido, à conservação dos alimentos e à rentabilidade da operação. Por isso, precisa ser administrada como um insumo”, afirma o especialista.
Eficiência contra o desperdício
O desafio para o produtor não é necessariamente reduzir o consumo total, mas otimizar o uso. Em setores intensivos, uma economia mal planejada pode ser contraproducente. Por exemplo, restringir a irrigação em períodos críticos ou interromper a refrigeração pode resultar em perdas de safra que superam em muito qualquer economia obtida na fatura de energia.
A ineficiência costuma estar escondida em contratos mal dimensionados ou na falta de um diagnóstico preciso. Como aponta Gustavo Sozzi:
“Uma propriedade pode ter um consumo elevado porque está produzindo mais, o que não representa necessariamente um problema. A ineficiência aparece quando a conta cresce sem que exista aumento proporcional da produção ou quando custos poderiam ser evitados com ajustes operacionais e contratuais”.
Gestão baseada em indicadores
A profissionalização do agronegócio sugere que o gasto com eletricidade deve ser medido através de indicadores de produtividade, como o custo por hectare irrigado ou por tonelada de grãos armazenada. Esse monitoramento permite identificar quando o aumento da despesa é justificado pela expansão produtiva ou se revela uma ineficiência operacional que precisa de correção imediata.
Além disso, a eficiência energética deve fazer parte da estratégia de mitigação de riscos. Oscilações ou falhas no fornecimento podem comprometer sistemas inteiros, afetando a segurança alimentar e o resultado financeiro.
O futuro da energia no campo
Não existe uma solução única para todos os perfis de propriedades. Alternativas como a geração distribuída, a autoprodução ou a migração para o mercado livre de energia devem ser avaliadas a partir de um diagnóstico detalhado do consumo real da fazenda.
O futuro da produtividade no campo depende da capacidade do produtor de alinhar a tecnologia de suas máquinas com um planejamento energético robusto. Conhecer o próprio perfil de consumo é, hoje, a única forma de garantir a sustentabilidade econômica e o crescimento contínuo do negócio, protegendo as margens frente aos desafios de um setor que, cada vez mais, demanda soluções inteligentes.
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