Edge, braço de soluções em gás da Compass, mais que triplica base de contratos e impulsiona resultados do grupo no 2º trimestre.
A Edge, unidade de negócios da Compass focada em soluções de gás natural, demonstrou um crescimento expressivo no segundo trimestre de 2026, mais que dobrando sua carteira de contratos. A empresa saltou de 23 para 61 acordos firmados em comparação com o mesmo período do ano anterior, consolidando-se como um motor fundamental para a expansão competitiva do grupo.
Os resultados foram divulgados durante a teleconferência de apresentação dos balanços trimestrais da Compass, empresa que realizou seu IPO em maio, movimentando R$ 3 bilhões. Marcos Fernandes, CFO da Compass, destacou a importância da Edge:
A Edge segue se consolidando como a nossa principal plataforma de crescimento competitivo, ampliando a atuação da Compass além da distribuição, oferecendo soluções flexíveis e seguras para clientes conectados e não conectados à rede.
Expansão geográfica e volume comercializado em alta
A atuação da Edge expandiu-se significativamente, alcançando agora 11 estados, contra sete anteriormente. O volume comercializado no mercado interno registrou um aumento de 27%, totalizando 461 milhões de metros cúbicos (m³). As operações da empresa abrangem comercialização, o Terminal de Regaseificação de São Paulo (TRSP), GNL B2B off-grid e projetos de biometano.
No trimestre em questão, o volume comercializado pela Edge atingiu a marca histórica de 5,1 milhões de m³ por dia. Esse desempenho foi impulsionado pela expansão no mercado livre de gás e pelo desenvolvimento das operações de GNL B2B off-grid e da OneBio, que passaram a contribuir substancialmente para os resultados.
Mercado Livre e a estratégia da Compass
A expectativa é que a Edge mantenha seu ritmo de crescimento, beneficiando-se da migração contínua de consumidores do mercado cativo para o livre. Antônio Simões, CEO da Compass, ressaltou que a empresa detém uma participação entre 20% e 25% entre os clientes já migrados e almeja manter essa fatia conforme o mercado se expande. Simões enfatizou que a migração para o mercado livre não é motivada apenas pela redução de custos, mas também pelo valor agregado em pós-venda, gestão de riscos e flexibilidade oferecida aos consumidores.
Na Comgás, subsidiária da Compass, cerca de 74% do volume já migrou para o mercado livre. A empresa projeta que a expansão da Edge mantenha um ritmo semelhante nos próximos trimestres. Destaques do período incluem o primeiro contrato de mobilidade off-grid da Edge, com duração de dez anos, para o fornecimento de GNL a caminhões pesados, e a entrega de 500 cargas de GNL à LD Celulose.
Esses marcos reforçam a relevância do GNL B2B como solução competitiva, escalável e alinhada à transição energética.
Afirmou Marcos Fernandes.
Resultados consolidados e desafios na distribuição
O avanço operacional da Edge se refletiu positivamente no segmento de Marketing & Serviços, com um crescimento de 50% no Ebitda na comparação anual, atingindo R$ 140 milhões. Em contrapartida, o segmento de distribuição de gás registrou um volume movimentado praticamente estável, com uma leve queda de 1% em relação ao ano anterior. Esse resultado foi influenciado pela queda no consumo industrial, embora tenha havido crescimento nos segmentos residencial e comercial.
Apesar das flutuações na demanda industrial, a Compass tem diversificado suas estratégias, focando no crescimento de mercados de maior rentabilidade, como os setores residencial, comercial e de mobilidade. A base de clientes do grupo atingiu 3,15 milhões, com a adição de 179 mil consumidores nos últimos 12 meses. Os investimentos na distribuição de gás cresceram 31%, totalizando R$ 509,5 milhões.
No consolidado, o lucro líquido da Compass recuou 19% no segundo trimestre de 2026, para R$ 287 milhões. A companhia atribui essa queda ao aumento das despesas financeiras e da depreciação, apesar do crescimento do Ebitda. A receita operacional líquida somou R$ 3,935 bilhões, uma queda de 9% em relação ao mesmo período de 2025.























