Diante da estagnação do Redata, o setor de data centers redireciona suas apostas para benefícios tributários estaduais e ferramentas de importação para manter a competitividade brasileira.
A indústria de infraestrutura digital brasileira está mudando a rota para garantir que o país continue atraente na disputa global por investimentos em alta tecnologia. Após a perda de força política do Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter), o setor abriu mão de insistir em um regime que, na prática, perdeu a janela de oportunidade diante da proximidade da reforma tributária.
Para o vice-presidente da ABDC (Associação Brasileira de Data Centers), Luis Tossi, o projeto de lei que tramita no Congresso deixou de ser a solução ideal. “O Redata não morreu porque ele tem um impacto psicológico sobre os estados e investidores, mas ele não tem mais efeito prático sendo aprovado”, explicou o executivo. O foco agora é utilizar mecanismos existentes, como o Ex-tarifário, que reduz a zero o imposto de importação para equipamentos de informática sem similar nacional.
Nova estratégia foca no ICMS e atração regional
O centro das negociações atuais migrou para o Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária). As empresas do setor buscam um convênio que autorize estados a reduzirem o ICMS sobre 24 equipamentos essenciais para a montagem de centros de processamento. A iniciativa visa preencher o vácuo deixado pela ausência do incentivo federal.
Embora estados como São Paulo, polo tradicional do setor, ainda resistam por considerarem que já possuem vantagens competitivas, a articulação busca sensibilizar outras regiões. O Nordeste, em particular, surge como um aliado estratégico, apostando na abundância de energia renovável para atrair novos projetos, especialmente aqueles voltados ao treinamento de Inteligência Artificial (IA).
O Brasil como alternativa global
A estratégia da ABDC é aproveitar o gargalo internacional. Países como os Estados Unidos e nações europeias como Holanda e Reino Unido começaram a impor restrições severas à instalação de novos data centers, citando a escassez de água e a sobrecarga nas redes elétricas locais.
“Temos tudo para conseguir atrair uma boa parte desse investimento, que seria feito nos países que estão começando a ter restrição, aqui para o Brasil”, projeta Tossi. A matriz energética brasileira, composta majoritariamente por fontes renováveis, coloca o país em uma posição de vantagem climática para o atendimento das metas de descarbonização das gigantes globais da tecnologia.
Resposta a questionamentos ambientais
Sobre as recentes críticas do MPF (Ministério Público Federal) quanto ao consumo de recursos e uso de geradores a diesel em projetos no Ceará, a associação defende a natureza técnica do negócio. O setor argumenta que a energia de backup é uma exigência de segurança operacional e que o uso desses geradores é ínfimo diante das horas anuais de operação.
O futuro da infraestrutura digital no Brasil, segundo a ABDC, não depende apenas de incentivos fiscais, mas da capacidade do país em converter seu excedente de energia limpa em um hub estratégico para a economia de dados, independentemente da aprovação de legislações específicas. O movimento agora é de convencimento junto aos entes federativos e de demonstração da viabilidade técnica dos empreendimentos.






















