O setor de energia limpa no Brasil atingiu um novo patamar de interesse com o registro de 6.091 projetos em leilões de baterias, totalizando quase 300 GW de potência ofertada.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) confirmou uma marca histórica para o mercado elétrico nacional. O processo de seleção de sistemas de armazenamento de energia em baterias atraiu uma quantidade inédita de empreendedores, consolidando o armazenamento como um pilar estratégico para o futuro do sistema elétrico brasileiro.
O elevado interesse reflete tanto o amadurecimento tecnológico do setor quanto a agilidade facilitada pela dispensa temporária de licenças ambientais e certificações complexas durante a fase de cadastro. A natureza modular das baterias também permitiu que desenvolvedores de diversos portes submetessem suas propostas para os dois certames de reserva de potência.
Estrutura dos certames e exigências técnicas
O planejamento conduzido pelo Ministério de Minas e Energia (MME) dividiu a contratação em duas etapas distintas. A primeira, agendada para 2 de dezembro, prioriza equipamentos com conteúdo local, em parceria com o BNDES. O segundo certame, programado para o dia 4 do mesmo mês, é aberto à tecnologia global.
A EPE destacou que a maioria dos proponentes optou por participar de ambas as modalidades, totalizando 4.939 projetos que figuram em ambos os editais. Geograficamente, o Nordeste desponta como o protagonista, concentrando mais de 71% de toda a potência submetida, impulsionado pelo potencial renovável da região.
Próximos passos para a viabilização
“A alta adesão é um sinal claro da confiança do mercado no papel vital dos sistemas de armazenamento para a estabilidade da rede elétrica nacional”, avaliam especialistas do setor.
Todos os projetos inscritos enfrentarão agora uma rigorosa análise técnica por parte da EPE. O objetivo é verificar a viabilidade das condições de conexão e a capacidade de entrega prometida. O cronograma prevê a conclusão da habilitação em 17 de novembro, antecedendo os leilões de dezembro.
Além dos requisitos de performance — que incluem descarga mínima de quatro horas e alta eficiência —, os editais seguem em consulta pública na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) até 14 de setembro. O grande desafio atual gira em torno da definição das regras do Ercap (Encargo de Potência para Reserva de Capacidade), que determinará como os custos serão repartidos entre os geradores de energia.
A expectativa é que a operação comercial das usinas vencedoras comece em agosto de 2028, trazendo mais segurança e flexibilidade operacional para o sistema interligado brasileiro pelos próximos 15 anos.






















