O Consórcio Nordeste defende que a celeridade na regulamentação do hidrogênio verde e combustíveis sustentáveis de aviação é o pilar necessário para atrair investimentos bilionários em neoindustrialização.
A busca por um marco regulatório estável tornou-se a pauta principal do Consórcio Nordeste diante do adiamento da publicação de decretos federais essenciais para o setor de energia. O secretário-executivo, Carlos Gabas, ressaltou que a clareza nas normas é o gatilho para viabilizar o plano de atrair R$ 77 bilhões em projetos industriais de baixo carbono até 2030, meta estabelecida pelo Fórum Powershoring.
A expectativa do mercado era a oficialização de diretrizes para o hidrogênio de baixo carbono, o uso de SAF (combustível sustentável de aviação) e tecnologias de CCS (captura e armazenamento de carbono) durante esta semana, mas o governo optou por postergar o anúncio. Segundo Gabas, a resistência enfrentada é compreensível dada a magnitude da reestruturação energética proposta.
Transição energética como estratégia de mitigação
“Pela complexidade que isso envolve na matriz energética, no potencial das empresas de utilizar essa energia e onde nós vamos mexer, onde você já tem outras fontes de energia sendo utilizadas para essa mesma função, é uma disputa natural. Para nós isso é natural. É uma mudança muito forte, pesada e que encontra dificuldades naturais de todo o processo de mudança.”
Além da atração de capital, o Consórcio Nordeste enxerga na industrialização local uma saída técnica para o grave problema do curtailment — o corte compulsório na geração de energia renovável. O secretário argumenta que a dificuldade atual reside nos gargalos de transmissão para os grandes centros de consumo. Ao levar a indústria para perto da fonte geradora, o país otimiza o sistema e evita o desperdício de energia limpa.
Cenário político e competitividade
Sobre os impactos eleitorais, Gabas defende a continuidade da atual gestão federal como forma de assegurar a agenda de sustentabilidade. O secretário, que já ocupou cargos ministeriais nos governos Lula e Dilma Rousseff, alerta contra eventuais retrocessos que poderiam desestabilizar o setor.
Em relação à competitividade do preço da eletricidade, o executivo manteve cautela sobre decisões do Ministério de Minas e Energia (MME), mas pontuou que interferências políticas e contratações obrigatórias de fontes fósseis acabam por encarecer o sistema.
“Arranjos políticos que obrigam o uso de uma energia mais cara dificultam a disponibilidade de energia mais barata e ecologicamente correta.”
O desenrolar das regulamentações nos próximos meses será o termômetro para confirmar se o Brasil conseguirá, de fato, converter seu vasto potencial em renováveis em um polo industrial globalmente competitivo. A estratégia aposta não apenas na descarbonização da economia, mas na criação de empregos de maior qualificação técnica em toda a região Nordeste.





















