A Echoenergia, braço de soluções do Grupo Equatorial, consolidou uma parceria estratégica com o Grupo Olfar para suprimento de energia solar via autoprodução na Bahia.
O mercado brasileiro de energia renovável acaba de registrar um movimento robusto no Oeste Baiano. A Echoenergia e a gigante do setor de biodiesel, Grupo Olfar, firmaram um acordo para a autoprodução por equiparação, garantindo ao grupo industrial um suprimento de 27 MW médios de fonte solar. A transação, que recebeu sinal verde do Cade sem restrições, contempla a participação do Olfar em 48,60% do capital de três SPEs (Sociedades de Propósito Específico) responsáveis pelas usinas Sertão Solar Barreiras XV, XVIII e XIX.
Com um complexo que soma 192,50 MWp de capacidade instalada, a iniciativa reafirma a busca das indústrias por eficiência energética no Ambiente de Contratação Livre (ACL). Para o Grupo Olfar, o modelo vai além da mitigação de custos contra a volatilidade do mercado, representando um passo decisivo em suas metas de descarbonização e conformidade com as diretrizes ESG.
Estratégia e Competitividade no Mercado Livre
O modelo de autoprodução por equiparação tem se tornado a estratégia preferencial para grandes consumidores que buscam previsibilidade financeira a longo prazo. Ao se tornarem sócios dos empreendimentos de geração, empresas como o Grupo Olfar conseguem reduzir encargos setoriais atrelados ao transporte de energia, otimizando drasticamente a estrutura de custos de suas plantas industriais.
“Temos observado um interesse crescente de grandes consumidores pela autoprodução de energia especialmente quando associada a fontes renováveis. Esse modelo permite às empresas realizar uma melhor gestão de custos, adquirir maior eficiência energética, e avançar em suas estratégias de sustentabilidade, ao mesmo tempo em que impulsiona a expansão da geração limpa no país.”
A fala de André Breviglieri, gerente comercial da Echoenergia, reflete uma tendência consolidada. A parceria não apenas blinda a operação do Olfar contra oscilações de preço, mas também fortalece a posição da companhia na transição energética, setor que exige cada vez mais insumos de fonte limpa. O diretor industrial do Olfar, Mateus Andrich, reforça que o movimento é essencial para manter a competitividade da empresa diante dos desafios logísticos e de produção do biodiesel.
O Novo Cenário Regulatório
Esta transação ocorre em um momento de adaptação do setor elétrico brasileiro ao novo arcabouço normativo. A recente promulgação da Lei nº 15.269/2025 trouxe exigências mais rigorosas para a autoprodução, elevando a régua de elegibilidade para unidades consumidoras. Agora, apenas grupos que possuem demanda contratada individual mínima de 3,0 MW e um somatório total de 30 MW conseguem acessar os benefícios desta modalidade.
A nova legislação tem forçado o mercado a recalibrar suas ofertas. Enquanto estruturas menores podem encontrar dificuldades, grandes players — como demonstrado pela parceria entre Echoenergia e Olfar, ou pelo recente contrato com a Paraibuna Embalagens — seguem aproveitando a escala para viabilizar projetos de grande porte. A tendência é que o setor continue se concentrando em parcerias de alta complexidade, consolidando o Oeste da Bahia como um polo central para a geração fotovoltaica nacional voltada ao consumo industrial.





















