Grupo Thopen obtém medida judicial que suspende ações de credores por 60 dias.
A empresa do setor de energia Thopen conseguiu, através da Justiça do Rio de Janeiro, uma proteção temporária contra seus credores. Uma decisão liminar determinou a suspensão de ações e execuções individuais por um período de 60 dias, abrindo caminho para um futuro pedido de recuperação judicial. Esta medida visa resguardar o grupo enquanto ele se prepara para formalizar o processo.
A ordem judicial, que também impede credores de anteciparem vencimentos de dívidas ou rescindir contratos com base no pedido cautelar, foi deferida pela 6ª Vara Empresarial da Capital. O juiz estabeleceu um prazo de 30 dias para que o Grupo Pontal-Thopen apresente o pedido principal de recuperação judicial.
A justificativa para a solicitação reside em um “quadro agudo de escassez de liquidez”, conforme alegado pela empresa. Fatores como desempenho abaixo do esperado em novos projetos, aumento de custos financeiros devido à indexação de passivos ao CDI e atrasos na conexão de usinas por parte de distribuidoras foram citados como causas para o descompasso financeiro.
Desafios e Reorganização Financeira
No processo que levou à decisão judicial, a Thopen detalhou os motivos que culminaram na crise de liquidez. A empresa apontou que projetos recém-operacionais ou em fase de entrada ainda não geram receita suficiente para cumprir as projeções financeiras. Adicionalmente, a variação da taxa Selic impactou negativamente o custo de dívidas indexadas ao CDI.
A conexão de novas usinas de geração solar, que deveriam estar operando e gerando receita, sofreu atrasos por parte das concessionárias. Esses contratempos resultaram em um déficit de capital de giro, dificultando o cumprimento das obrigações financeiras em dia. A administração atual busca, com essa medida cautelar, ganhar tempo para renegociar suas dívidas de forma organizada.
Medida de Proteção e Administração Judicial
A decisão do magistrado Victor Agustin Cunha Jaccoud Diz Torres suspende explicitamente penhoras, leilões e bloqueios sobre os ativos das 54 empresas do grupo. Embora bens já bloqueados e não entregues aos credores possam ser liberados, o que já foi recebido ou compensado antes da decisão não será devolvido.
Para gerenciar a complexidade do caso, envolvendo empresas em três estados com garantias cruzadas, o juiz nomeou dois administradores judiciais: o escritório Pinho Machado Advogados Associados e a VPJ Administração Judicial. A remuneração desses administradores será definida pelo juízo, respeitando o limite legal de 5% dos créditos sujeitos à recuperação.
Histórico de Crescimento e Aquisições
O Grupo Thopen, lançado em março de 2025 pela Pontal Energy (controlada pela Denham Capital), tem um histórico recente de expansão agressiva. O plano inicial previa investimentos superiores a R$ 2,3 bilhões até 2027, visando consolidar sua atuação no mercado livre e na geração distribuída.
A empresa, que se posiciona como uma das líderes em micro e minigeração distribuída, oferece energia por assinatura e atua em diversos segmentos do mercado. Sua estratégia de crescimento envolveu aquisições relevantes, como a compra de um portfólio de 52 usinas solares da Vip Air por R$ 750 milhões e a aquisição de 45 usinas da Matrix Energia por R$ 556 milhões. Mais recentemente, obteve aprovação do Cade para adquirir a Biogás Energia Ambiental.
A situação atual da Thopen destaca os desafios de gestão do crescimento acelerado no setor de energia, especialmente diante de fatores macroeconômicos e operacionais que podem impactar a liquidez. A recuperação judicial será crucial para reestruturar o passivo e garantir a sustentabilidade das operações futuras.






















