CPFL e TIM unem forças para impulsionar a digitalização da rede elétrica com investimento de R$ 60 milhões.
A CPFL Energia e a TIM anunciaram uma colaboração estratégica que visa revolucionar a gestão da distribuição de energia. Com um investimento conjunto de R$ 60 milhões, as empresas implementarão a maior rede privativa de telecomunicações do Brasil voltada especificamente para o setor elétrico. A iniciativa utilizará a tecnologia de 450 MHz para criar uma infraestrutura de comunicação de alta capacidade e confiabilidade.
Este projeto ambicioso permitirá a integração em tempo real de subestações, equipamentos de campo e Centros de Operação Integrado (COI). Com isso, a CPFL Energia busca aprimorar sua inteligência operacional, abrindo caminho para a adoção generalizada de tecnologias de ponta, como a automação avançada de redes, a Internet das Coisas (IoT) e sistemas de medição inteligente (smart metering).
A abrangência territorial da iniciativa é impressionante, cobrindo aproximadamente 51 mil quilômetros quadrados e cerca de 50 municípios nas áreas de concessão da CPFL em São Paulo e no Rio Grande do Sul. Ao conectar 65 subestações e mais de 2.500 dispositivos inteligentes, o projeto tem como meta diminuir drasticamente o tempo de resposta a falhas e eventos, aumentar a resiliência do sistema elétrico e otimizar a eficiência em um contexto de crescente demanda energética e eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.
## Rede Privativa de 450 MHz: A Espinha Dorsal da Nova Distribuição
A escolha da faixa de 450 MHz para a rede privativa não é acidental. Esta frequência é conhecida por sua robustez e capacidade de penetração em áreas com topografia desafiadora ou com pouca cobertura de redes comerciais. Isso garante comunicações estáveis e contínuas, essenciais para a operação crítica do sistema elétrico, mesmo em cenários adversos.
A independência proporcionada por uma rede própria de telecomunicações é um diferencial estratégico. Ela reduz a vulnerabilidade a falhas em redes públicas e assegura a disponibilidade de comunicação em momentos cruciais, como durante emergências ou eventos climáticos severos.
“Estamos construindo a base para a próxima geração da distribuição de energia”, afirma Luís Henrique Ferreira Pinto, vice-presidente de Operações Reguladas da CPFL Energia. “Ao investir em uma rede própria e robusta de comunicação, damos um passo crucial para tornar nossa operação ainda mais inteligente, resiliente e preparada para os desafios da transição energética. O maior beneficiado é o cliente, que passa a contar com um sistema capaz de responder com muito mais rapidez a qualquer ocorrência.”
## Automação e Inteligência: Melhorando Indicadores e a Experiência do Cliente
Um dos pilares deste investimento é o aprimoramento da automação da rede de distribuição. Sistemas como os de “self-healing” (auto-reparo) permitirão que equipamentos, como religadores e reguladores de tensão, se comuniquem em tempo real com o centro de operação. Isso significa que, ao detectar uma falha, o sistema poderá identificar automaticamente o ponto exato do problema, isolá-lo e, por meio de manobras remotas, restabelecer o fornecimento de energia para a maioria dos consumidores afetados em tempo recorde.
Essa capacidade de resposta rápida tem um impacto direto na melhoria de indicadores regulatórios cruciais, como a Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (DEC) e a Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (FEC), métricas que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) utiliza para avaliar a qualidade do serviço prestado pelas distribuidoras.
## Convergência Tecnológica e Futuro da Energia
A parceria entre CPFL e TIM também reforça a tendência de convergência entre os setores de telecomunicações e energia. O avanço da IoT, a digitalização industrial e a necessidade de monitoramento constante de infraestruturas críticas impulsionam a demanda por soluções de conectividade robustas e confiáveis.
Fabio Costa, vice-presidente B2B da TIM, destaca a importância dessa colaboração: “A CPFL é protagonista no movimento de digitalização do setor elétrico e a TIM vai contribuir para transformar essa infraestrutura em capacidade operacional para uma atividade essencial. Temos construído uma trajetória consistente de IoT no mercado corporativo, entregando eficiência, confiabilidade e escala para setores críticos.”
A rede privativa de 450 MHz foi projetada com escalabilidade em mente, prevendo a conexão de até 50 mil dispositivos IoT simultaneamente. Isso prepara a infraestrutura para suportar o crescimento da geração distribuída, a expansão urbana, a eletrificação do transporte e a crescente digitalização do setor energético brasileiro até 2029, ano previsto para a conclusão da implantação. Este investimento posiciona a CPFL Energia na vanguarda da modernização, garantindo maior automação, resiliência e qualidade no fornecimento de energia.























