A WEG intensifica sua estratégia global, expandindo a produção no México e EUA para neutralizar o impacto das elevadas tarifas de importação americanas e proteger suas margens no competitivo setor de energia.
As contínuas mudanças nas políticas de comércio exterior dos Estados Unidos estão moldando as estratégias de grandes players globais. Para a WEG, líder na fabricação de equipamentos elétricos, as novas tarifas de importação representam um desafio significativo que pode impactar diretamente sua rentabilidade consolidada. A incerteza quanto à aplicação e cumulatividade dessas taxas exige uma agilidade estratégica sem precedentes por parte da companhia.
Diante desse cenário volátil, a WEG tem redesenhado sua cadeia de suprimentos e produção para o mercado norte-americano. A movimentação visa mitigar os efeitos adversos das tarifas, garantindo a continuidade e a competitividade dos seus produtos em um dos mercados mais importantes para o setor de energia limpa e infraestrutura elétrica. A empresa demonstra uma forte capacidade de adaptação em um ambiente global complexo.
A Pressão das Tarifas Norte-Americanas
As medidas tarifárias dos Estados Unidos têm sido um fator de constante preocupação para a WEG. Em 22 de julho, as tarifas da Seção 301 aplicadas a produtos brasileiros subiram para 25%. A situação pode se agravar com a possível adição de uma sobretaxa de 12,5%, elevando o total a até 37,5%, dependendo de como as normas de incidência se combinam com outras taxas já existentes, como a da Seção 232.
O vice-presidente Administrativo-Financeiro da WEG, André Rodrigues, destacou a dificuldade em projetar os efeitos de longo prazo devido à fluidez do panorama tarifário. Anteriormente, produtos brasileiros da WEG já haviam enfrentado alíquotas de 50%, que depois caíram para 10%, antes de novas elevações.
“Considerando as constantes mudanças no cenário de tarifas, é difícil estimarmos agora um impacto de longo prazo. Mas é certo afirmar que, mantidas as tarifas atuais, a tendência é que possamos ter um impacto na margem consolidada da companhia.”
Essa variação exige da empresa uma constante reavaliação de seus custos e estratégias.
Reconfiguração Global da Produção
Para contornar as barreiras tarifárias, a WEG tem ajustado a origem de seus equipamentos destinados aos Estados Unidos. Atualmente, 41% dos produtos comercializados no mercado norte-americano são fabricados no México, enquanto 33% vêm de suas plantas nos próprios EUA. A participação do Brasil no fornecimento caiu para 20% a 21%, comparado a aproximadamente 30% em 2024.
André Rodrigues ressaltou que essas ações estratégicas, como o aumento da produção no México e nos Estados Unidos, já estão surtindo efeito. O México, em particular, emergiu como o principal centro de abastecimento para a WEG na América do Norte. A rede de produção global da WEG, distribuída entre Brasil, México, EUA e outros países, permite uma gestão flexível e adaptada às condições de mercado.
Apesar da realocação, é importante notar que alguns produtos fabricados no México, como transformadores e motores de grande porte, ainda estão sujeitos às tarifas da Seção 232 nos Estados Unidos.
Impacto nos Contratos e Respostas Estratégicas
Outro ponto de pressão para a rentabilidade da WEG reside nos contratos firmados antes da implementação das novas tarifas, que não previam cláusulas para o repasse desses custos adicionais. Grande parte dos transformadores entregues em 2026 foi encomendada anos antes, sem a expectativa de tais encargos.
A WEG, desde o início das novas tarifas, passou a incorporar cláusulas de repasse em seus contratos mais recentes. Contudo, as negociações sobre os acordos anteriores devem prosseguir até, possivelmente, 2027. A empresa realiza ajustes de preços individualmente, considerando fatores como a origem do produto, a tarifa vigente, e as flutuações de commodities como cobre e aço, cujos valores agora são parametrizados nos novos contratos de transformadores.
Demanda Consistente e Investimentos Futuros
Apesar do ambiente tarifário desafiador, a WEG não observou uma diminuição na demanda por transformadores na América do Norte. Os preços dos novos contratos, embora não apresentem os picos anteriores, permanecem em patamares atraentes. A empresa mantém uma perspectiva positiva para a expansão da infraestrutura elétrica nos Estados Unidos, impulsionada por um volume robusto de entregas de equipamentos de transmissão e distribuição.
O diretor de Finanças e Relações com Investidores, André Salgueiro, destacou a demanda crescente por geradores, transformadores e sistemas de ventilação para a expansão dos data centers. Esse segmento, vital para a economia digital e cada vez mais interessado em fontes de energia limpa, oferece um cenário de precificação comercial mais favorável para os produtores de equipamentos de ciclo longo.
A WEG continuará a alavancar sua robusta presença industrial global para minimizar os efeitos das tarifas e ajustar suas condições comerciais quando necessário, sempre visando a competitividade. A companhia planeja investimentos estratégicos para expandir a produção de transformadores no México, Estados Unidos, Colômbia e Brasil, com novas capacidades entrando em operação gradualmente entre 2027 e 2028. Embora o período inicial de operação de novas fábricas possa gerar despesas adicionais com a contratação e treinamento de pessoal, a expectativa é de uma contribuição significativa para a receita e rentabilidade futuras da WEG, reforçando seu papel no setor elétrico global e na sustentabilidade.























