O governo do Paraná busca ampliar o próximo leilão de reserva de capacidade, defendendo a inclusão de usinas hidrelétricas reversíveis como solução estratégica para o armazenamento de energia no país.
O governo do Paraná deu um passo decisivo para influenciar o planejamento energético nacional. Por meio de um ofício enviado ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o estado solicitou formalmente a neutralidade tecnológica no próximo Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCap), agendado para dezembro.
Atualmente, o certame está restrito ao armazenamento via baterias. A gestão paranaense, contudo, defende que a abertura do edital para outras tecnologias, com foco especial nas hidrelétricas reversíveis, é fundamental para garantir maior eficiência técnica, econômica e ambiental ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
Defesa técnica e vocação regional
O superintendente Sandro Vieira, responsável pelo documento, enfatiza que as usinas reversíveis oferecem vantagens competitivas robustas. Entre os pontos citados, destacam-se a capacidade de armazenamento de energia por longos períodos, a vida útil estendida — que pode ultrapassar um século — e a agilidade na resposta a serviços essenciais para a estabilidade da rede.
As baterias apresentam elevado desempenho em aplicações de curta duração, enquanto as usinas reversíveis são especialmente indicadas para armazenamento de longa duração e para a prestação de serviços sistêmicos essenciais que dificilmente podem ser substituídos por outras tecnologias.
O estado argumenta ainda possuir condições geográficas ideais para essa modalidade de geração. Com um relevo favorável e infraestrutura elétrica robusta, o Paraná acredita ter o cenário perfeito para liderar projetos que complementem a expansão das fontes solar e eólica, que possuem caráter intermitente e dependem de soluções de armazenamento para assegurar a confiabilidade do suprimento.
O futuro do armazenamento no Brasil
O debate ganha fôlego diante da dualidade tecnológica. Longe de serem vistas como concorrentes, as baterias e as hidrelétricas reversíveis são tratadas pelos especialistas estaduais como ferramentas complementares. Enquanto as baterias suprem demandas rápidas, as reversíveis atuam como “baterias naturais” de grande escala, ideais para o equilíbrio do sistema a longo prazo.
Embora o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) já tenha classificado as reversíveis como prioritárias no planejamento estratégico, ainda não há uma data oficial para a contratação dessas usinas. Enquanto a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) aponta custos operacionais inferiores para as reversíveis em comparação às baterias, o Ministério de Minas e Energia (MME) mantém o foco nos leilões focados em baterias, previstos para ocorrer em duas etapas: uma voltada ao conteúdo local e outra aberta ao mercado internacional.






















