Inovação no Chile combina sustentabilidade e produtividade ao implementar a primeira usina solar flutuante em uma fazenda de salmão, reduzindo drasticamente a dependência de combustíveis fósseis.
A transição energética na aquicultura sul-americana deu um passo importante com a implementação de um sistema fotovoltaico pioneiro no país. Localizada no centro de cultivo Huar Norte, na região de Los Lagos, a infraestrutura tem como principal meta descarbonizar as operações pesqueiras, substituindo o uso de geradores movidos a diesel por uma fonte de energia limpa e renovável.
A iniciativa, encabeçada pelo AKVA Group em parceria com as empresas Alotta Energy e Fjord Maritime, marca a estreia desse tipo de tecnologia no litoral chileno. Com 300 kWp de potência instalada, o sistema já é responsável por atender mais da metade das necessidades energéticas da unidade, projetando uma redução anual de 139,2 mil litros de diesel.
Eficiência energética e bem-estar animal
O impacto da mudança vai além da simples economia financeira. Ao diminuir a necessidade de queima de combustível, a operação evita a emissão anual de cerca de 350 toneladas de CO2. Além disso, a redução dos fluxos de transporte marítimo para o reabastecimento de geradores minimiza riscos ambientais em ecossistemas sensíveis e diminui custos logísticos.
A presença da tecnologia também trouxe benefícios indiretos para a criação. Segundo os responsáveis pelo projeto, a operação mais silenciosa do centro de cultivo, devido ao menor uso de motores a combustão, reduz o estresse dos peixes. Complementarmente, a sombra projetada pelos painéis solares sobre a água auxilia na regulação térmica, contribuindo para um desenvolvimento mais equilibrado dos cardumes.
Resiliência tecnológica em ambiente marinho
“A solução não apenas resolve a questão da pegada de carbono, mas demonstra como a engenharia pode adaptar painéis solares para resistir às condições rigorosas de salinidade e agitação do mar aberto.”
Para viabilizar a tecnologia sobre o oceano, foram aplicados polímeros de alta flexibilidade que suportam a oscilação das marés e ventos fortes. A fiação foi projetada com camadas de proteção especial para impedir a corrosão causada pelo ambiente salino, garantindo a durabilidade do sistema e a estabilidade da geração elétrica por meio de monitoramento inteligente.
O sucesso desse modelo no Chile abre uma nova perspectiva para o setor de energia na América do Sul. Ao utilizar o espaço ocupado por atividades industriais pré-existentes, a solução contorna a escassez de terrenos e oferece autonomia para indústrias remotas. A tendência é que esse formato de Geração Distribuída (GD) ganhe escala em outros países da região, consolidando o uso de superfícies aquáticas como uma solução estratégica para a sustentabilidade industrial.






















