Aumento de 7,2% no mercado fio da Copel contrasta com a retração de 1,1% nas vendas totais de energia no segundo trimestre de 2026.
A Copel divulgou seus indicadores operacionais referentes ao segundo trimestre de 2026, revelando um movimento distinto entre a utilização de sua infraestrutura de rede e a comercialização direta de energia. Enquanto o mercado fio — que mede o uso das linhas de distribuição — avançou 7,2%, atingindo 9.134 GWh, o volume total de vendas de energia do grupo registrou uma leve queda de 1,1%, somando 13.505 GWh.
Esse cenário reflete a dinâmica do setor elétrico brasileiro após a abertura do Mercado Livre de Energia para consumidores de média e alta tensão, consolidada desde 2024. Embora muitos clientes tenham migrado para outros fornecedores, eles permanecem conectados à rede da Copel Distribuição, pagando as tarifas pelo uso do sistema de distribuição, o que explica o crescimento do mercado fio mesmo com a oscilação nas vendas.
Desempenho por segmentos e classes de consumo
O mercado fio da Copel Distribuição demonstrou força tanto entre os clientes cativos, que registraram uma alta de 8% (5.198 GWh), quanto entre os consumidores livres, que elevaram o uso da rede em 6,7% (4.239 GWh). Vale destacar que esses números já consideram o impacto compensatório da micro e minigeração distribuída (MMGD).
Ao analisar o comportamento por categorias, o setor residencial foi o principal destaque, com um salto de 13,7% no consumo. O segmento comercial também apresentou um desempenho positivo, crescendo 10,4% no período. Já a indústria teve uma alta mais moderada, de 2,5%. Um ponto curioso nos dados industriais foi a redução de 43,2% no número de unidades atendidas, que, segundo a Copel, decorre de uma reclassificação estratégica de unidades consumidoras para as classes residencial e comercial.
Resultados por unidade de negócio
No consolidado financeiro e operacional do grupo, as unidades apresentaram resultados variados. Enquanto a distribuidora e a Copel Geração e Transmissão (Copel GeT) registraram recuos de 4% e 4,3% nas vendas, respectivamente, o braço de comercialização de energia da companhia conseguiu manter o fôlego. A comercializadora fechou o trimestre com um crescimento de 0,6%, totalizando 6.727 GWh vendidos.
Por outro lado, os ativos de geração eólica do grupo sentiram uma leve retração, com uma queda de 3,2% na comparação anual, totalizando 1.139 GWh. A tendência observada nestes resultados reforça a transformação do papel das concessionárias, que se consolidam cada vez mais como prestadoras de serviços de rede enquanto o mercado de comercialização de energia se torna mais competitivo e fragmentado.






















