O setor nuclear brasileiro mobiliza-se para as eleições de 2026, defendendo Angra 3 e o Reator Multipropósito como essenciais para a segurança energética e o desenvolvimento nacional.
O setor nuclear brasileiro iniciou uma campanha estratégica para consolidar a tecnologia nuclear como pilar central do debate político-eleitoral. Em uma iniciativa conjunta da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN) e da Firjan, foi lançada, no Rio de Janeiro, a “Agenda Nuclear para um Brasil Competitivo”. O documento, direcionado aos candidatos do próximo ciclo de governo, apresenta propostas essenciais para impulsionar o avanço nuclear no país.
Este movimento ganha relevância em um cenário global de transformação energética. Com a crescente demanda por energia firme impulsionada pela expansão de data centers, a evolução da inteligência artificial e a eletrificação industrial, somada às metas globais de descarbonização, a energia nuclear se reposiciona como uma fonte estratégica e sustentável, fundamental para a segurança energética brasileira e a competitividade da indústria.
Tecnologia Nuclear e a Nova Economia
Para os líderes do setor nuclear reunidos no evento, a discussão sobre o átomo transcende a mera geração elétrica. Ela abrange o fomento à alta tecnologia, a criação de empregos qualificados e o fortalecimento da indústria nacional, consolidando-se como um vetor de política industrial e soberania.
Luiz Césio Caetano, presidente da Firjan, ressaltou o impacto significativo do segmento no PIB fluminense e nas cadeias de alta complexidade. Ele destacou que:
“O avanço do Brasil neste campo representa soberania, inovação e geração de oportunidades. Ao mesmo tempo, oferece uma contribuição estratégica para áreas de grande relevância, como saúde, indústria, agricultura e pesquisa científica.”
Caetano enfatizou a necessidade de apresentar essas demandas aos futuros eleitos, enquanto Celso Cunha, presidente da ABDAN, sublinhou o foco em propostas pragmáticas e executáveis, visando transformar o potencial existente em resultados concretos para o Brasil.
Angra 3 e Reator Multipropósito: Prioridades Inadiáveis
A conclusão da Usina Nuclear Angra 3 emergiu como um ponto crucial para a matriz energética brasileira. Sua importância é sublinhada pela necessidade de fornecimento de geração firme e estável para suportar a transição digital e mitigar os impactos das variações climáticas. A obra representa um grande impulso econômico para o Rio de Janeiro e para a cadeia produtiva nuclear, envolvendo mais de 700 empresas e gerando cerca de 70 mil postos de trabalho diretos e indiretos.
Outro projeto vital é o Reator Multipropósito Brasileiro (RMB). Essencial para acabar com a dependência externa de radioisótopos – insumos cruciais para a medicina nuclear em exames de imagem e tratamentos contra o câncer –, o RMB busca dar autonomia ao país, que hoje sofre com oscilações logísticas e cambiais globais. O deputado federal Daniel Soranz (PSD-RJ) defendeu o RMB como uma “prioridade nacional” com profundo impacto social e humanitário.
Rio de Janeiro na Vanguarda do Desenvolvimento Nuclear
O evento reforçou a ambição do Rio de Janeiro de consolidar sua posição como o principal polo nuclear do país. O estado já abriga a Usina de Angra dos Reis, importantes centros acadêmicos e de pesquisa, e conta com mão de obra altamente qualificada. O deputado federal Reimont (PT-RJ) salientou que fortalecer esse ecossistema significa impulsionar a capacidade de desenvolvimento científico e tecnológico do estado e da nação.
A ABDAN e seus parceiros asseguraram que a articulação com os formuladores de políticas públicas será contínua. Com as eleições de 2026 no horizonte, a mobilização visa transformar os desafios técnicos e burocráticos em uma agenda inegociável para a soberania energética e a inovação tecnológica do Brasil, garantindo o avanço da energia limpa e sustentável no país.























