O governo federal adiou o cronograma de redução de subsídios aos combustíveis. A decisão foi motivada pela instabilidade global causada pelo conflito no Oriente Médio, que exige maior cautela econômica.
O cenário de incertezas geopolíticas no Oriente Médio forçou o Ministério da Fazenda a rever seus planos imediatos para o setor de energia. Em entrevista realizada nesta quinta-feira (9.jul.2026), o ministro Dario Durigan confirmou que a desoneração gradual da gasolina e do diesel será postergada. Embora a equipe econômica mantenha como meta o encerramento desses benefícios fiscais, a prioridade atual é garantir a estabilidade do mercado diante da escalada das tensões internacionais.
A mudança de rota foi influenciada diretamente pelo panorama externo. O governo brasileiro monitora com atenção as repercussões das falhas nas negociações de paz, incluindo recentes declarações do presidente norte-americano Donald Trump, que indicaram o encerramento de tratativas para um cessar-fogo na região. Esse novo patamar de tensão internacional elevou a percepção de risco sobre os preços do petróleo, impactando diretamente o planejamento da pasta.
Monitoramento diário e metas fiscais
De acordo com Dario Durigan, a administração federal segue um delicado equilíbrio entre a proteção dos consumidores brasileiros e a manutenção das metas de responsabilidade fiscal. “Eu tinha expectativa, sim, de tirar a subvenção da gasolina num prazo mais curto, mas a situação da guerra se agrava”, pontuou o ministro ao justificar a manutenção dos auxílios.
Atualmente, os benefícios vigentes somam R$ 1,12 por litro de diesel e R$ 0,44 por litro de gasolina. Paralelamente a essas medidas, o governo segue mantendo a alíquota de 12% sobre a exportação do petróleo bruto. O ministro reforçou que tanto os subsídios quanto as taxações extraordinárias são ferramentas de caráter temporário, passando por revisões diárias conforme o comportamento do mercado global de combustíveis.
Compromisso com a retirada de incentivos
O ministro aproveitou a oportunidade para esclarecer que o governo não trabalha com a hipótese de novos incentivos. “O meu objetivo é a retirada dos subsídios, mas eu preciso ter cautela”, declarou Dario Durigan, refutando qualquer possibilidade de ampliação dos benefícios setoriais. Segundo ele, o foco segue na normalização gradual dos preços e na transição para um modelo de mercado sem intervenções emergenciais.
Vale destacar que algumas etapas desse processo já foram concluídas: o PIS/Cofins sobre o diesel já retornou aos níveis regulares e o acordo fiscal envolvendo o ICMS de importação com os Estados também foi finalizado. Esses passos demonstram que, apesar do recuo tático momentâneo imposto pela guerra, a política econômica brasileira ainda busca o retorno pleno à normalidade tarifária assim que a volatilidade internacional permitir.






















