USP transforma lixo orgânico em energia limpa e fertilizantes, promovendo a economia circular.
A Universidade de São Paulo (USP) deu um passo significativo rumo à sustentabilidade com a inauguração de uma usina piloto para produção de bioenergia e biofertilizantes. Localizada no Instituto de Energia e Eletrotécnica (IEE), a iniciativa demonstra em escala real o potencial da conversão de resíduos orgânicos em recursos valiosos, alinhando-se aos princípios da economia circular.
Este projeto inovador integra a geração de eletricidade, produção de biogás e o reaproveitamento de subprodutos agrícolas em uma única estrutura. O objetivo principal é dar um destino sustentável a todos os resíduos orgânicos gerados no campus, transformando um passivo ambiental em eletricidade, biometano e biofertilizantes, ao mesmo tempo que reduz a dependência de soluções externas para o tratamento desses materiais.
Modelo de Cogeração e Impacto Ambiental
A usina possui licenciamento da Cetesb para processar até 43 toneladas de resíduos orgânicos diariamente. Essa capacidade é suficiente para gerenciar todo o lixo orgânico do campus da USP, além de poder receber materiais de parceiros. A infraestrutura conta com um sistema de cogeração moderno, com unidades de geração de energia elétrica de 75 kW e 240 kW, e uma unidade térmica de 84 kW, todas conectadas à rede elétrica da universidade. Os dados da USP indicam que cada tonelada de resíduo orgânico processado pode render cerca de 110 metros cúbicos de biogás, gerando aproximadamente 166 kWh de eletricidade.
Replicabilidade e Incentivos para Energia Renovável
O pacote tecnológico desenvolvido pela USP tem potencial de ser replicado em municípios, regiões metropolitanas e em grandes geradores de resíduos alimentícios, como indústrias, centrais de abastecimento e redes de restaurantes. A iniciativa visa comprovar a viabilidade técnica, econômica e ambiental desse modelo de aproveitamento de resíduos.
O setor privado também tem apostado no aproveitamento energético de resíduos. Recentemente, o projeto Biometano Maracanã, da Solvi Essencis Ambiental, foi enquadrado no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (REIDI) pelo Ministério de Minas e Energia (MME). Este benefício suspende a cobrança de PIS/Pasep e Cofins sobre bens e serviços destinados ao projeto. Localizado em Caieiras (SP), o empreendimento prevê a construção de uma planta para purificar biogás de resíduos domiciliares, com capacidade para produzir 220 mil Nm³ de biometano por dia, que será injetado na rede de gás natural.
A implantação da usina da USP e os incentivos ao projeto Biometano Maracanã refletem o crescente interesse e investimento em fontes de energia limpa e soluções sustentáveis para a gestão de resíduos no Brasil. Essas iniciativas são cruciais para a transição energética e a construção de um futuro mais verde.






















