Um novo estudo do MME aponta que o Brasil precisa de R$ 1,65 bilhão para viabilizar uma planta de terras-raras, destacando o papel essencial das políticas públicas no setor.
O Ministério de Minas e Energia (MME) apresentou um levantamento inédito que mapeia os caminhos para o Brasil consolidar sua posição estratégica no mercado global de terras-raras. Com a transição para a energia limpa demandando cada vez mais minerais críticos, o país busca transformar seu vasto potencial geológico em um motor de desenvolvimento industrial e inovação tecnológica.
O estudo, desenvolvido pelo Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) com apoio do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), estabelece que o investimento inicial para uma planta de processamento seria de US$ 1,65 bilhão. Este valor, que não considera incentivos governamentais, é a base para que o governo e o setor privado tracem uma estratégia nacional focada em agregar valor aos recursos minerais brasileiros.
A importância das políticas públicas na atratividade
A viabilidade financeira do projeto está diretamente atrelada ao desenho das políticas públicas. Em um cenário conservador, sem auxílios, o retorno sobre o investimento gira em torno de 11,8% ao ano. Contudo, com a aplicação de medidas como depreciação acelerada, alívio tributário e subvenções, esse patamar pode subir para 16,5%. Em condições de mercado diferenciadas, o retorno poderia alcançar 31%, tornando a operação altamente atrativa.
“A diferença entre um projeto inviável e um projeto atrativo não está no subsolo brasileiro, e sim nas escolhas de política pública”
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou que o documento serve como um guia para subsidiar a estratégia liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o titular da pasta, o objetivo é dominar toda a cadeia produtiva: “Nosso propósito é desenvolver aqui mesmo a cadeia produtiva, da riqueza do subsolo ao produto final, agregando valor com inteligência científica, tecnologia e inovação”.
Otimizando a cadeia de valor
O planejamento proposto pelo relatório divide a estratégia em três horizontes temporais. Inicialmente, o foco é o “destravamento” da cadeia, priorizando a segurança na oferta de matéria-prima e a melhoria da inteligência geológica nacional. Sem uma base sólida no upstream — a fase de mineração e concentração — não seria possível sustentar o crescimento industrial necessário para competir internacionalmente.
A médio e longo prazo, a meta é o adensamento produtivo. Isso inclui o refino, a produção de ligas e, futuramente, a fabricação de componentes avançados como magnetos. A integração com setores de alta tecnologia, como a mobilidade elétrica e as energias renováveis, coloca o Brasil em uma posição privilegiada na geopolítica dos minerais críticos. A expectativa é que, com esses passos, o país não seja apenas um exportador de insumos, mas um player estratégico no fornecimento de tecnologias fundamentais para o futuro sustentável do planeta.
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