Análise da Dcide revela cenário de modulação energética em maio: solar com perdas significativas, enquanto hidráulica e eólica se destacam positivamente.
O setor de energia elétrica no Brasil apresentou um cenário de modulação financeira divergente em maio de 2026, conforme apontam os dados mais recentes da Dcide. A energia solar fotovoltaica, apesar de sua expansão contínua, continua a enfrentar desafios significativos, registrando os maiores descontos de modulação no Sistema Interligado Nacional (SIN). Em contrapartida, as fontes hidráulica e eólica demonstraram resiliência e capacidade de gerar valor adicional, impulsionadas por suas características operacionais e complementaridade com a demanda.
O estudo da Dcide, que analisa os Índices Mensais de Modulação, quantifica o impacto financeiro da flexibilidade e temporalidade na geração de energia. Essencialmente, ele compara o valor de mercado da energia gerada em horários específicos com o valor que ela teria se fosse produzida de maneira uniforme ao longo do mês.
Solar sob pressão: descontos acentuados em maio
Maio de 2026 foi um mês de penalidades para a geração solar. A coincidência entre os picos de produção da fonte e os períodos de menor demanda e preços no mercado, conhecido como Perfil Plano (flat), resultou em descontos expressivos em todas as regiões do SIN. Os valores negativos variaram de -R$ 52,86 por megawatt-hora (MWh) na região Sul a um expressivo -R$ 89,94/MWh no Sudeste/Centro-Oeste (SE/CO). Essa performance sublinha a persistente dificuldade da energia solar em capturar valor em momentos de alta oferta, pressionando o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) horário.
Eólica e Hidráulica: prêmios que refletem a flexibilidade
Em contraste, a geração eólica manteve uma trajetória de prêmios positivos em todas as regiões, embora com variações. Os valores oscilaram entre R$ 6,24/MWh no Sul e R$ 33,80/MWh no Norte. A Dcide destaca que esse desempenho reforça o papel crucial da eólica em complementar o perfil de geração solar, especialmente em momentos de maior valor da energia no sistema.
A energia hidráulica, por sua vez, consolidou sua posição como a fonte mais beneficiada pela sua flexibilidade operacional. Os prêmios para essa fonte variaram de R$ 14,20/MWh no Norte a R$ 34,08/MWh no Sul. A capacidade de gerenciar a produção para coincidir com os horários de maior demanda e preço é um diferencial competitivo que se traduz em ganhos financeiros consistentes.
Tendência de longo prazo: modulação se torna um fator econômico chave
A análise da Dcide também revela uma mudança de cenário a partir do segundo semestre de 2024. Os descontos da solar se tornaram mais pronunciados, enquanto os prêmios para a eólica e hidráulica apresentaram crescimento. Essa evolução indica que os efeitos de modulação deixaram de ser ajustes marginais e passaram a impactar significativamente a rentabilidade dos empreendimentos de geração. O relatório aponta que, em alguns casos, esses impactos podem somar dezenas de reais por MWh, alterando a dinâmica econômica do setor.
Em maio de 2026, o PLD médio na ponta atingiu R$ 325,47/MWh nas regiões Sudeste/Centro-Oeste e Sul, evidenciando a importância estratégica dessas regiões no mercado. Já o comportamento fora da ponta destacou o Sul, com um PLD médio de R$ 236,83/MWh. A persistência de preços mais baixos no Nordeste e Norte, especialmente em horários fora de ponta, também foi observada, com frequências de preços no piso do PLD mais elevadas nessas regiões.






















