O mercado de biometano no Brasil vive um salto histórico: com 20 plantas autorizadas pela ANP, a capacidade de produção quintuplicou desde 2020, impulsionada pela Lei do Combustível do Futuro e por um robusto pipeline de novos projetos.
O setor de biometano no Brasil atingiu um novo patamar de maturidade, consolidando-se como um pilar essencial na transição para uma economia de baixo carbono. De acordo com um levantamento da ABiogás (Associação Brasileira do Biogás e do Biometano), baseado em dados da ANP, o país contabiliza atualmente 20 plantas autorizadas, alcançando uma capacidade instalada de aproximadamente 1,3 milhão de m³/dia.
Esse avanço é reflexo direto de um cenário regulatório mais favorável, especialmente após a sanção da Lei do Combustível do Futuro. Desde a implementação da nova legislação, 12 novas unidades receberam autorização, evidenciando que o interesse privado em fontes de energia limpa e renovável está em plena fase de aceleração no território nacional.
Expansão e infraestrutura estratégica
O crescimento do setor de biogás e derivados é notável: a capacidade instalada cresceu cinco vezes entre 2020 e 2025. Atualmente, a matriz produtiva é composta por 11 plantas integradas a aterros sanitários (RSU) e nove unidades dedicadas ao tratamento de resíduos agroindustriais. Estados como São Paulo têm liderado o movimento, com um aumento expressivo de 235% na emissão de licenças ambientais via CETESB no último ano.
Para a ABiogás, a versatilidade do combustível é seu grande trunfo. Por possuir alta equivalência ao gás natural convencional, ele permite o aproveitamento da infraestrutura de transporte e distribuição já existente, tornando a descarbonização industrial um processo mais competitivo e previsível.
“O debate energético mundial mudou de patamar e a transição energética passou a incorporar segurança energética, competitividade industrial e soberania nacional. Nesse cenário, o biometano ganha posição estratégica: com elevada equivalência ao gás natural, pode ser usado na infraestrutura existente, viabilizando uma transição mais eficiente, competitiva e previsível”, afirma Josiani Napolitano, presidente-executiva da associação.
Projeções de crescimento e novas metas
O futuro do setor parece promissor, com um pipeline de 50 plantas em processo de licenciamento na ANP, o que poderia adicionar mais 2 milhões de m³/dia à capacidade nacional. A expectativa é que, até 2030, o Brasil conte com cerca de 200 plantas operando, viabilizando investimentos que podem chegar a R$ 348 bilhões e a criação de quase 800 mil empregos.
Um dos pilares para esse crescimento é a regulamentação do Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB). Esse mecanismo permite a comercialização dos atributos ambientais do biocombustível separadamente da molécula física, criando uma nova dinâmica de valorização para produtores de energia sustentável.
“A aprovação da Lei do Combustível do Futuro e a regulamentação do CGOB representam passos importantes para a consolidação de um mercado estruturado de gás renovável no Brasil, trazendo maior previsibilidade regulatória para investidores e consumidores”, destaca Josiani Napolitano.
Com a chegada de 2026, o mercado aguarda o início do cumprimento das metas obrigatórias de descarbonização. A emissão dos primeiros certificados CGOB será o marco definitivo para o amadurecimento completo deste mercado, posicionando o Brasil como um líder global na produção de energia renovável de alta performance.





















