A consultoria Thymos Energia projeta um inverno de 2026 com preços de energia estáveis no mercado de curto prazo, impulsionado por um sistema elétrico robusto e alta produtividade de fontes renováveis.
O setor elétrico brasileiro ingressa na estação mais seca do ano com uma perspectiva de tranquilidade inédita para os agentes do Ambiente de Contratação Livre (ACL). Segundo análise recente da Thymos Energia, o PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) deve oscilar em um patamar competitivo, situando-se entre R$ 150/MWh e R$ 200/MWh. A previsão aponta para um equilíbrio saudável entre a oferta de energia e a demanda, que permanece contida devido às temperaturas mais amenas típicas do período.
Mesmo com a redução sazonal das chuvas que impacta as bacias hidrográficas das regiões Sudeste e Centro-Oeste, a infraestrutura do Sistema Interligado Nacional (SIN) demonstra resiliência suficiente para evitar picos de volatilidade no mercado spot. Esse cenário é sustentado por níveis de armazenamento de água confortáveis e uma estratégia operacional que aproveita ao máximo a diversidade da matriz energética nacional.
Renováveis sustentam o equilíbrio do sistema
A alta performance esperada das fontes eólica e solar desempenha um papel central na manutenção desses preços. A “safra de ventos”, que ganha força durante o inverno em áreas estratégicas do país, deve garantir uma geração abundante, enquanto os parques solares no Centro-Norte brasileiro seguem com produtividade elevada.
Essa abundância de oferta renovável, aliada a uma demanda comportada, tende a manter os níveis de curtailment — a restrição temporária da geração para proteger a rede — em patamares que pressionam os custos para baixo no curto prazo.
“A safra de ventos será forte, assim como a geração solar em todo o Centro-Norte do Brasil. Como ainda não faz muito calor, e na maior parte do tempo ainda faz um pouco de frio, os cortes de geração devem continuar. Esse conjunto de fatores também ajuda a explicar a expectativa de preços mais baixos no curto prazo”, destacou a Thymos em sua análise de mercado.
Olhar atento ao clima para 2027
Embora a calmaria predomine neste inverno, o setor já começa a monitorar as movimentações climáticas para o próximo ciclo. O fortalecimento do fenômeno El Niño, previsto para ganhar tração a partir de agosto, é acompanhado com cautela por especialistas.
Embora o impacto hidrológico mais severo só deva ocorrer no decorrer do verão de 2027, o setor elétrico se prepara para eventuais mudanças no regime de chuvas. Contudo, para os próximos meses, o ambiente de negócios no mercado de energia permanece favorável, oferecendo previsibilidade e segurança para que comercializadores e consumidores industriais ajustem seus contratos com maior tranquilidade.





















