O governo do Rio Grande do Sul oficializou uma estratégia de longo prazo para transformar a economia das cidades baseadas na extração de minerais fósseis, mirando a neutralidade de carbono até 2050.
O Executivo gaúcho apresentou recentemente o seu novo Plano de Transição Energética Justa, focado em modificar a matriz econômica de 18 municípios localizados na Campanha e no Baixo Jacuí. Com o apoio técnico da WayCarbon e do Centro Brasil no Clima, sob a gestão da SEMA-RS, a iniciativa desenha um futuro menos dependente do carvão e da produção termelétrica, setores que historicamente sustentam o desenvolvimento dessas regiões.
O grande desafio do projeto reside em substituir fontes fósseis de renda e emprego sem gerar instabilidade social ou financeira para as comunidades afetadas. O município de Candiota é o retrato mais nítido dessa realidade, já que a operação carbonífera é responsável por quase a totalidade de sua receita tributária municipal. Dados de 2023 mostram que, embora as termelétricas a carvão do estado respondessem por pouco mais de 12% da eletricidade gerada no país, elas eram responsáveis por 22% das emissões do parque fóssil brasileiro, evidenciando a urgência da mudança.
Uma Nova Identidade Econômica e Produtiva
A estratégia para as próximas décadas não se limita ao setor de energia. O plano aposta na diversificação através da bioenergia, ampliação de parques solares e eólicos, além de incentivar a inovação na agroindústria de valor agregado e novos polos tecnológicos.
Como destacou Keyvan Macedo, da WayCarbon: “Mais do que mudar a forma de se produzir energia, o projeto foi desenvolvido para garantir que essa transformação possa acontecer de maneira equilibrada, considerando os impactos sobre as pessoas, as comunidades e o desenvolvimento local.”
Qualificação e Governança para o Futuro
Para viabilizar essa meta, o governo estadual prevê programas robustos de requalificação da mão de obra, visando absorver os profissionais em novas indústrias sustentáveis. Além disso, o documento sugere a criação de mecanismos financeiros de proteção para municípios que possam enfrentar quedas na arrecadação durante o período de transição.
O sucesso da proposta será monitorado por um conselho de governança permanente, que avaliará indicadores de desempenho econômico e climático. Com esse plano, o Rio Grande do Sul busca se firmar como um modelo nacional de descarbonização, provando que o abandono dos combustíveis fósseis pode ser um motor de modernização produtiva e prosperidade regional.





















