ONS alerta para maior frequência de cortes de energia devido ao excesso de geração.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) antecipa um cenário de maior utilização do plano emergencial para gerenciar o volume excedente de energia produzida no Brasil. Essa projeção se intensifica com o aprofundamento do fenômeno conhecido como “vale da carga líquida” no Sistema Interligado Nacional (SIN). A tendência, segundo Alexandre Zucarato, diretor de Planejamento do ONS, indica a necessidade não apenas de interrupções controladas de geração, mas também de mecanismos automáticos de segurança para manter o balanço entre o que é produzido e o que é consumido.
O recente acionamento do plano, em 7 de junho, que resultou na restrição de 1.000 MW de potência entre 10h e 14h, serve como um alerta. Ele demonstra a crescente ocorrência de situações em que a produção de energia, impulsionada pelas fontes renováveis e pela geração distribuída, supera a demanda em momentos específicos. Essa expansão, especialmente das fontes solar e eólica, tem intensificado o que é popularmente chamado de “barriga do pato”, caracterizado pela drástica queda da carga líquida nas horas de pico solar.
## Novas Camadas de Segurança Operacional
Diante desse quadro, o ONS está aprimorando suas estratégias de gestão. Além do plano de redução comandada, onde o operador instrui sobre a necessidade de cortes, está em desenvolvimento o Esquema Regional de Alívio de Geração (Erag). Este novo sistema prevê o desligamento automático de usinas geradoras, seguindo critérios predefinidos, para atuar prontamente em casos de elevação da frequência do sistema. A prioridade, no entanto, permanece em otimizar a redução de toda a geração centralizada disponível, antes de recorrer a medidas mais drásticas.
A complexidade do problema reside em sua natureza estrutural, ligada à configuração da matriz energética. Zucarato aponta que a expansão da oferta de energia tem superado o crescimento da demanda em determinados períodos. Para mitigar essa questão a longo prazo, o diretor sugere duas frentes principais: aumentar o consumo geral do sistema ou incentivar o deslocamento da demanda para horários de maior disponibilidade energética.
## Sinais Tarifários e o Mercado Livre
A modernização dos sinais tarifários é vista como uma ferramenta crucial para reorientar o consumo. Ao refletir de forma mais precisa os momentos de abundância energética, em vez de apenas os de escassez, as tarifas podem incentivar o uso da energia quando ela é mais barata e abundante. No mercado livre, a atuação dos comercializadores varejistas se torna fundamental para traduzir esses sinais econômicos em produtos e pacotes atrativos aos consumidores, promovendo o consumo nos horários de excedente de geração.
A expectativa é que, embora os eventos de necessidade de corte permaneçam pontuais, sua frequência tende a crescer anualmente. O ONS reafirma o compromisso em garantir a segurança e a estabilidade da operação do sistema elétrico brasileiro, mesmo diante dos desafios impostos pelo avanço das energias limpas e pela dinâmica do mercado.





















