A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) atualizou suas projeções para as contas de luz em 2026, apontando um reajuste médio de 8,6%, patamar que seria ainda maior sem medidas de alívio.
A nova estimativa, detalhada na edição de junho do boletim InfoTarifa, marca uma elevação em relação aos 8,0% previstos anteriormente pela Aneel. O aumento no índice ocorre mesmo com a inclusão de recursos provenientes da repactuação do Uso de Bem Público (UBP), que atuaram como um moderador na tarifa. Sem esse aporte, o custo médio para os consumidores brasileiros teria superado a marca de 10%.
O cenário tarifário foi impactado por uma adesão abaixo do esperado pelas geradoras hidrelétricas à nova lei de antecipação da UBP (Lei nº 15.235/2025). Das 34 empresas elegíveis, apenas 24 aderiram ao programa. Com isso, em vez do benefício máximo estimado inicialmente em R$ 7,9 bilhões, o sistema contará com R$ 4,3 bilhões para abater as tarifas, o que representa uma redução de 1,6 ponto percentual no efeito médio final.
Pressão inflacionária e custos de distribuição
A revisão para cima reflete pressões estruturais mais intensas que o alívio gerado pela UBP. A atualização dos indicadores econômicos foi determinante para o cenário, com as previsões de inflação (IPCA) saltando de 3,9% para 4,9%, enquanto o IGP-M foi revisto de 3,1% para 5,8%.
> “A revisão mostra que os demais fatores de pressão ficaram mais fortes do que o alívio trazido pela UBP”, aponta o relatório da agência reguladora, que detalha como o aumento nos custos de distribuição — a chamada Parcela B — contribuiu para a alta, subindo de 0,2% para 0,9% na composição tarifária.
Componentes que pesam no bolso
O boletim da Aneel destaca outros pontos que elevam a pressão sobre o consumidor. A CVA Energia (Conta de Compensação de Variações de Valores de Itens da Parcela A) sofreu impacto direto de um regime hidrológico menos favorável nos últimos dois anos, elevando as despesas com contratos de disponibilidade.
Além disso, a devolução de créditos de PIS/Cofins, provenientes da exclusão do ICMS da base de cálculo, perdeu fôlego. A previsão de ressarcimento caiu de R$ 6,4 bilhões para R$ 5,3 bilhões, reduzindo o potencial de alívio nas faturas. Em contrapartida, houve uma leve melhora no componente de compra de energia e uma contribuição negativa (de alívio) da usina de Itaipu, favorecida pela estabilidade tarifária e projeções cambiais mais favoráveis.
O setor elétrico agora observa com atenção o comportamento da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), que segue como um dos pilares de maior pressão. Com as revisões tarifárias de 2026 atingindo 15 das 51 distribuidoras de energia do país, a tendência é de que o consumidor sinta uma pressão contínua nas contas, impulsionada tanto pela modernização das redes quanto pelos encargos setoriais acumulados.






















