Inovação em aço garante energia solar em áreas remotas da Amazônia.
A busca por universalizar o acesso à energia elétrica em locais remotos do Brasil tem impulsionado o desenvolvimento de soluções inovadoras que combinam engenharia de materiais e geração de energia distribuída. Um exemplo notável está sendo implementado nas regiões de concessão da Energisa, nos estados do Acre e Mato Grosso, onde o programa Luz para Todos está se beneficiando do uso de um aço de alta performance.
O material em questão, denominado Magnelis®, produzido pela ArcelelMittal, tem se mostrado fundamental na sustentação de sistemas individuais de energia solar fotovoltaica. Desenvolvido para operar em condições desafiadoras, este aço com tecnologia de autocicatrização é crucial para a montagem de miniusinas isoladas (_off-grid_), atendendo comunidades com acesso logístico limitado e climaticamente severo, como as localizadas na região do Xingu e as terras Xavante.
Resistência a umidade e corrosão: a chave para a Amazônia
Um dos maiores obstáculos para a instalação de infraestrutura fotovoltaica na Amazônia é o ambiente de alta umidade e precipitação, que acelera a deterioração de metais comuns. O Magnelis® apresenta uma solução engenhosa. Sua composição de revestimento, que inclui zinco, alumínio e magnésio (ZAM), confere à liga uma propriedade de autocicatrização.
Isso significa que, caso ocorram pequenos danos superficiais durante a montagem, como cortes ou furos, íons de magnésio migram para a área afetada, formando uma barreira protetora que impede o avanço da ferrugem. Essa capacidade autocurativa é vital para garantir a longevidade das estruturas em locais onde a manutenção regular é logisticamente complexa e custosa, frequentemente dependente de transporte fluvial.
Eficiência na produção e na montagem
A adoção do Magnelis® pela 3e Soluções, empresa responsável pelo processamento e montagem das miniusinas, também otimiza a cadeia produtiva. A tecnologia de pré-revestimento elimina a necessidade de processos adicionais como a galvanização a quente, que historicamente criavam gargalos. Agora, os processos de corte, dobra e perfuração podem ser realizados diretamente na bobina original sem comprometer a proteção anticorrosiva.
Davi Ponte, diretor comercial da 3e Soluções, destaca a importância do material: “As características de resistência do aço Magnelis foram fundamentais para sua escolha como base de sustentação das miniusinas. É exatamente o produto que precisávamos e pretendemos futuramente ampliar seu uso para outras regiões.”
Este projeto ambicioso, com prazo de execução de 24 meses, já previu a instalação de 2,5 mil torres metálicas. Até o momento, cerca de 1,5 mil unidades foram ativadas, consumindo aproximadamente 174 toneladas deste avançado aço. A iniciativa demonstra como a inovação em materiais pode ser um pilar para a expansão do acesso à energia limpa em áreas de difícil alcance, promovendo o desenvolvimento sustentável e a inclusão energética.






















