A JetBio, subsidiária da Summit NextGen, investirá US$ 2 bilhões em uma biorrefinaria em Paulínia (SP) para produzir 1 bilhão de litros de SAF ao ano a partir de etanol.
O setor de aviação global vive uma corrida contra o tempo para descarbonizar suas operações, e o Brasil posiciona-se como peça-chave nesta transição energética. A JetBio, braço da americana Summit Agricultural Group, acaba de formalizar um passo decisivo ao adquirir um terreno em Paulínia, no interior de São Paulo, para instalar uma unidade de processamento de combustível sustentável de aviação (SAF).
O projeto, avaliado em US$ 2 bilhões, aproveita o diferencial competitivo do país: a produção de etanol com baixa intensidade de carbono. A biorrefinaria será projetada para converter álcool — derivado tanto da cana-de-açúcar quanto do milho e outros resíduos — em querosene verde, atendendo a uma demanda crescente por alternativas aos combustíveis fósseis na aviação internacional.
Escala e tecnologia para a transição
A planta paulista terá uma capacidade produtiva robusta, projetada para entregar 1 bilhão de litros de SAF anualmente a partir de 2030, quando a operação deve entrar em regime pleno. O cronograma estabelece o início das obras físicas para 2027, utilizando a tecnologia de conversão proprietária da gigante americana Honeywell.
A logística industrial será eficiente: estima-se que a conversão exija 1,8 litro de etanol para cada litro de SAF resultante. Além da aviação, o complexo industrial deve gerar cerca de 5% de sua capacidade em diesel verde e combustíveis voltados ao setor marítimo, diversificando o portfólio sustentável da empresa.
“A escala é o elemento fundamental para viabilizar a tecnologia de conversão de etanol em SAF, tornando o produto final economicamente competitivo e ambientalmente sustentável em comparação ao querosene convencional”, afirmou William Moore, CEO da JetBio.
Foco no mercado externo e financiamento
A estratégia comercial da companhia é clara: 90% de toda a produção será direcionada para exportação. O foco inicial está nos mercados da União Europeia e do Reino Unido, regiões que já implementam regulações rígidas para a redução de emissões no transporte aéreo.
Para viabilizar o vultoso investimento, a JetBio estruturou um modelo de financiamento dividido equitativamente entre capital próprio e captação de dívida. O plano já envolve conversas preliminares com o BNDES, buscando alinhar o projeto às metas de financiamento verde do banco de fomento brasileiro.
Com este movimento, o Brasil reforça sua liderança na exportação de energias limpas. A instalação da planta em Paulínia não apenas consolida a vocação agroindustrial brasileira, mas também coloca o país como um dos principais fornecedores globais de soluções para a descarbonização dos céus, preparando o terreno para a próxima década da aviação sustentável.






















