Uma celebração artística e humana em Corpus Christi
Durante a celebração de Corpus Christi na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, diversos grupos de jovens se reuniram para transformar materiais como serragem, areia e tinta em verdadeiras obras de arte. Para muitos desses participantes, a experiência vai muito além da tradição religiosa: é uma oportunidade de fortalecer laços presenciais e se desconectar das telas de celulares e das influências da inteligência artificial.
Conexão real e propósito social
Vitória Nunes, de 18 anos, coordenadora de um grupo jovem em uma comunidade periférica, destaca que o trabalho coletivo oferece aos jovens um caminho na doação. Em áreas que enfrentam tensões sociais, como processos de reintegração de posse, a paróquia tem se tornado um ponto de apoio fundamental para famílias. Segundo Vitória, a amizade nos grupos é um fator de proteção importante, ajudando a combater sentimentos de solidão e sintomas de transtornos como a depressão.
A reflexão dos jovens sobre o uso da tecnologia ressoa com posicionamentos recentes da Igreja. Recentemente, foi publicada uma Carta Encíclica pelo papa Leão XIV, que aborda a necessidade de regulamentar a inteligência artificial, alertando para os riscos da desinformação trazidos por essas novas ferramentas.
Inclusão e superação através do coletivo
Além da comunidade de Vitória, outros grupos marcaram presença, como a Pastoral dos Surdos. Para participantes como Márcio da Cruz, de 36 anos, essas interações proporcionam um novo ânimo em momentos de dificuldade, como o desemprego. A professora Daniele Galeno, que atua na coordenação da pastoral, reforça que atividades para eles trazem novo ânimo, tirando os jovens do isolamento das telas e integrando-os à comunidade.
Vânia Lúcia da Cruz, mãe de Márcio, reforça que, apesar dos obstáculo com a comunicação enfrentados por pessoas surdas no dia a dia, a união presencial e o trabalho em conjunto trazem felicidade e senso de pertencimento.
Visão Geral
O esforço conjunto resultou na criação de 27 tapetes artísticos dispostos ao longo de um corredor de 125 metros de comprimento. O evento demonstrou que, ao utilizar métodos tradicionais e manuais, os jovens não apenas celebram a fé, mas também encontram formas eficazes de criar conexões humanas genuínas. Como apontou Mariana Abrantes, do Movimento Escalada, embora o desafio de afastar os jovens das telas seja real, é perfeitamente possível atraí-los para atividades religiosas e sociais, desde que a abordagem seja feita de forma direta e acolhedora, valorizando a vivência em comunidade e o convívio presencial.
Créditos: Misto Brasil























