MME teme falta de concorrência em primeiro leilão de baterias por exigências locais

MME teme falta de concorrência em primeiro leilão de baterias por exigências locais
MME teme falta de concorrência em primeiro leilão de baterias por exigências locais - Foto: Reprodução / Freepik | Pixbay
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O Ministério de Minas e Energia busca junto ao BNDES garantias de que a indústria nacional conseguirá suprir a demanda do primeiro leilão de baterias, evitando riscos ao certame.

O governo federal está em uma corrida contra o tempo para viabilizar o primeiro leilão de reserva de capacidade focado em sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS), planejado para ocorrer no final de 2026. A preocupação central do MME agora é garantir que a exigência de conteúdo local não comprometa o sucesso do processo.

Em um ofício recente direcionado ao BNDES, a secretaria-executiva do ministério, liderada por Gustavo Ataíde, manifestou receio de que o número restrito de fabricantes com produtos homologados no sistema Finame possa afastar competidores. O objetivo é assegurar que o leilão atraia participantes suficientes para garantir preços competitivos e a entrega dos projetos até agosto de 2028.

Dúvidas sobre o cronograma industrial

O ponto de atrito reside na capacidade real dos fornecedores brasileiros em atender às exigências técnicas dentro dos prazos estabelecidos. O MME questionou o banco de fomento se o intervalo entre a data do leilão e a assinatura dos contratos será suficiente para que novas plantas fabris sejam instaladas e adequadas às normas de conteúdo nacional.

A pasta também busca clareza sobre qual seria o volume industrial mínimo necessário para cumprir as etapas de credenciamento (CFI) previstas para 2027 e 2028. Esse mapeamento é visto como essencial para estabelecer um preço-teto realista, evitando problemas jurídicos ou auditorias futuras sobre a viabilidade do certame.

Indústria defende reserva de mercado

Enquanto o governo analisa os riscos, fabricantes locais como WEG, Moura e UCB já apresentaram uma proposta formal. O trio defende que 25% da potência contratada no leilão seja reservada exclusivamente para equipamentos produzidos no Brasil, totalizando cerca de 500 MW.

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Para as empresas, essa medida não representa um bloqueio à concorrência, mas um impulso necessário para a escala produtiva.

“Ao incluir medidas que promovam a utilização de BESS nacionais, o LRCap permitirá que o investimento em capacidade elétrica se converta também em investimento industrial interno, alinhado com diversas políticas públicas já em curso.”

As fabricantes argumentam que o incentivo está alinhado às diretrizes da Nova Indústria Brasil (NIB) e pode ser operacionalizado via instrumentos como o Processo Produtivo Básico (PPB) e o programa Padis. A ideia é que, ao combinar políticas de incentivo e critérios objetivos no leilão, o Brasil consiga fortalecer sua base tecnológica enquanto expande sua infraestrutura energética.

O desfecho desta consulta ao BNDES será determinante para o desenho final das regras. Caso o governo opte por manter exigências rígidas sem que a oferta local esteja madura, o setor de energia teme que o leilão termine com pouca adesão, atrasando a modernização do sistema elétrico nacional.

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