A Taesa prioriza a integração de novos ativos e negociações regulatórias este ano, preparando o terreno para retomar sua participação em leilões de energia a partir de 2027.
A Taesa, uma das principais empresas de transmissão de energia no Brasil, desenhou uma estratégia focada no curto e médio prazo. Sob o comando de Rinaldo Pecchio Jr., a companhia está concentrada na absorção dos ativos adquiridos da Energisa. O plano atual prioriza a solidez operacional e o alinhamento com o governo federal para a renovação de concessões estratégicas, postergando uma presença mais agressiva em novos certames para os próximos anos.
A recente aquisição, avaliada em R$ 2,3 bilhões, não apenas expande a presença da empresa em estados como Pará, Tocantins, Bahia e Goiás, mas também sinaliza o retorno da Taesa ao mercado de fusões e aquisições. De acordo com a gestão, a estratégia focada em ativos já operacionais oferece retornos mais atrativos em comparação aos leilões de novos projetos, que hoje enfrentam uma concorrência acirrada e margens de lucro cada vez mais estreitas.
Integração e Eficiência Operacional
A expectativa é que a integração total das linhas e subestações ocorra nos próximos quatro meses. A empresa destaca que a transação trouxe ganhos significativos em infraestrutura — superando em quilômetros de rede e potência de transformação o que foi alcançado em leilões ao longo dos últimos seis anos. Sobre o impacto da operação, o executivo reforçou:
“A gente comprou ativos no Pará, Tocantins, Bahia e Goiás. Os três primeiros têm óbvias sinergias capturáveis, e o de Goiás, a gente vê um crescimento por toda essa questão de agro, com possibilidade de aumentar um pouco a potência de transformação.”
Embora novos leilões estejam previstos no calendário setorial para este ano, a Taesa mantém uma postura cautelosa. A participação só ocorrerá se houver viabilidade financeira que garanta a saúde da empresa e a continuidade no pagamento de dividendos. A expectativa é que, com a desalavancagem e os resultados dos novos ativos consolidados, a empresa recupere fôlego para lances mais robustos a partir de 2027.
O Futuro das Concessões
Outro pilar fundamental na agenda da Taesa é o processo de renovação das concessões que expiram em 2030. Com o prazo de manifestação de interesse previsto para 2027, a empresa busca clareza nas regras por parte do governo federal, especialmente em relação a indenizações por investimentos não amortizados.
A companhia defende que as decisões sobre renovação ou nova licitação devem ser tomadas caso a caso, considerando a performance individual de cada ativo. A empresa também pleiteia que o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) tenha um papel consultivo crucial nessa transição. Ao pontuar a relevância da transmissora no cenário nacional, Rinaldo Pecchio Jr. concluiu:
“Em um momento tão crítico da transmissão e da geração de energia, com a questão de cortes de geração e tudo mais, estamos falando: nós temos dado conta do recado.”
Esta cautela estratégica sugere uma Taesa mais madura e focada em valorizar seus ativos existentes, posicionando-se de forma resiliente diante dos desafios do setor de energia limpa e infraestrutura elétrica no Brasil.























