O Sindenergia-MT alerta que a infraestrutura elétrica de Mato Grosso não acompanha o ritmo de crescimento do setor produtivo e cobra uma política de Estado de longo prazo.
Mato Grosso vive um momento de forte aceleração econômica, impulsionado pela verticalização do agronegócio e pelo surgimento de novos polos industriais. Contudo, esse avanço tem encontrado um obstáculo crítico: a infraestrutura de energia elétrica. Durante o evento GreenFarm, o presidente do Sindenergia-MT, Carlos Garcia, destacou que a demanda por energia no estado cresce em um ritmo significativamente mais acelerado do que a capacidade de fornecimento e distribuição.
Para a entidade, as soluções atuais, embora importantes, carecem de uma visão de futuro. O Sindenergia-MT defende que o estado precisa abandonar o modelo de gestão baseado apenas na resolução de problemas imediatos e adotar um planejamento estratégico integrado, capaz de sustentar o crescimento previsto para a próxima década, marcado pela expansão da fronteira agrícola, novas tecnologias de cultivo e a crescente demanda por eletromobilidade.
Desafios além do óbvio
O cenário é de urgência. Com uma demanda energética subindo 50% acima da média nacional, o modelo tradicional de ampliação de linhas e subestações mostra-se insuficiente. O sindicato aponta que a saída para garantir a segurança de suprimento envolve diversificar a matriz elétrica utilizando os abundantes recursos locais, como biogás, biometano, biodiesel e sistemas de energia solar fotovoltaica.
A utilização de Energy Storage Systems, ou sistemas de armazenamento com baterias, foi indicada pelo setor como uma peça fundamental. Essa tecnologia ajudaria a equilibrar a rede e mitigar as limitações impostas pela alta penetração de micro e minigeração distribuída, melhorando a qualidade do serviço nas regiões rurais e industriais.
“Mato Grosso é um dos líderes no País em produção de energia renovável, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar esse potencial em desenvolvimento local. Precisamos criar condições para que a sustentabilidade também gere retorno econômico para quem investe.”
Limites do plano atual
Recentemente, o governo estadual e a Energisa lançaram o programa MT Trifásico, que prevê o investimento de R$ 1,4 bilhão até 2030 para a instalação de redes trifásicas em pequenas propriedades e agroindústrias. Embora o Sindenergia-MT reconheça o valor da iniciativa por não onerar a tarifa do consumidor final, alerta que o projeto é paliativo diante do tamanho do desafio.
Segundo a entidade, o investimento atende essencialmente a demandas reprimidas do passado. Ou seja, trata-se de uma estratégia reativa para corrigir deficiências históricas, e não de uma preparação proativa para a carga industrial projetada para os próximos anos. A preocupação é que, sem uma solução mais robusta, o setor elétrico se torne o maior entrave para a atração de investimentos e para o desenvolvimento do PIB de Mato Grosso.
O caminho, segundo o setor empresarial, é a criação de um comitê estratégico de longo prazo. O grupo deveria integrar o poder público, órgãos reguladores e o setor produtivo, unificando as ações isoladas em uma política de Estado perene que antecipe os cenários energéticos e blinde a economia mato-grossense contra gargalos de suprimento.























