ABRAPCH e Abragel mudam comando em meio a cortes hídricos

ABRAPCH e Abragel mudam comando em meio a cortes hídricos
ABRAPCH e Abragel mudam comando em meio a cortes hídricos - Foto: Reprodução / Freepik | Pixbay
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A direção das associações de Pequenas Centrais Hidrelétricas passa por renovação em junho, impulsionada por discussões sobre a valorização dos atributos hídricos perante a ANEEL e cortes na geração.

Um novo capítulo se inicia para as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs) no Brasil. Em um cenário energético cada vez mais dinâmico e complexo, a Associação Brasileira de Pequenas Centrais Hidrelétricas e Centrais Geradoras Hidrelétricas (ABRAPCH) anunciou uma mudança significativa em sua liderança executiva. Após mais de uma década de atuação, Alessandra Torres de Carvalho deixará a presidência da entidade em junho de 2026. O cargo será assumido por Lucas Pimentel, um renomado advogado e especialista em regulação do setor elétrico.

Essa transição ocorre em um momento crucial, onde a matriz energética brasileira passa por uma reconfiguração expressiva. A escalada dos cortes de geração – o chamado curtailment – tem pressionado as fontes renováveis. Nesse contexto, as hidrelétricas de menor porte intensificam a busca pelo reconhecimento de seus atributos sistêmicos em futuras regras de contratação de potência e flexibilidade, um debate cada vez mais presente na Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

A saída de Alessandra Torres da presidência da ABRAPCH não significa um afastamento do setor. Pelo contrário, ela assumirá a liderança da Abragel, reforçando seu papel estratégico nas discussões sobre a segurança e a expansão da infraestrutura elétrica do país, além da geração renovável.

## Mudança de comando busca continuidade e fortalece pautas regulatórias

A sucessão na ABRAPCH foi cuidadosamente planejada para garantir a continuidade administrativa. Em uma reunião extraordinária, o conselho da associação aprovou de forma unânime a ascensão de Lucas Pimentel, anteriormente vice-presidente, para o posto de presidente da diretoria executiva. O engenheiro Daniel Faller foi eleito para a vice-presidência, completando a gestão até 2027.

A escolha de Pimentel para liderar a associação em um período de intensa discussão regulatória não é casual. A crescente participação de fontes solares e eólicas no Sistema Interligado Nacional (SIN) tem alterado a dinâmica operacional, elevando a demanda por fontes despacháveis, com capacidade de armazenamento e resposta rápida – características intrínsecas das usinas hídricas.

Alessandra Torres deixa um legado de fortalecimento institucional, com uma atuação marcante junto a órgãos como a ANEEL, o Ministério de Minas e Energia (MME), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e o Congresso Nacional. Em suas palavras, a executiva destacou o avanço da representatividade do segmento:

> “Foi uma jornada de muito aprendizado, desafios e conquistas. Tenho profundo orgulho de tudo o que construímos coletivamente ao longo desses anos na ABRAPCH. Tivemos avanços importantes para o reconhecimento das PCHs e CGHs dentro do setor elétrico brasileiro e, principalmente, fortalecemos a união do segmento. Sou extremamente grata pela confiança, parceria e oportunidade de representar um sector tão estratégico para o país.”

## Curtailment e a busca por remuneração de atributos nas pequenas hidrelétricas

A nova gestão da ABRAPCH assume em um cenário desafiador para os pequenos geradores hídricos. O aumento da geração solar e eólica tem resultado em mais restrições de despacho, o curtailment, uma preocupação que afeta a viabilidade financeira do setor. As PCHs argumentam que a estrutura atual do sistema elétrico não oferece uma remuneração adequada para atributos como a regularidade operacional, a capacidade de resposta e o suporte à estabilidade da rede.

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Analistas do setor apontam que discussões em torno de serviços ancilares, armazenamento de energia e capacidade de potência podem recolocar as pequenas hidrelétricas em um papel central na transição energética brasileira. A entidade acompanha de perto temas como os Leilões de Reserva, a regulamentação de Usinas Hidrelétricas Reversíveis (UHRs) e a remuneração da flexibilidade operacional.

## Foco em regulação e fortalecimento regional marca nova liderança

A experiência de Lucas Pimentel em questões jurídicas e regulatórias é vista como um trunfo para a ABRAPCH. A expectativa do mercado é de uma intensificação da atuação institucional junto à ANEEL e ao MME, com foco na modernização do mercado e na valorização econômica das fontes hídricas.

Ao assumir a presidência, Pimentel sinalizou a intenção de expandir a atuação regional da associação e aprofundar o diálogo com os órgãos setoriais:

> “Assumo a presidência da ABRAPCH com muito entusiasmo e com foco nos desafios jurídicos, regulatórios e institucionais que teremos nos próximos meses. Juntos, iremos fortalecer ainda mais as PCHs, as CGHs e a própria Associação, inclusive por meio da ampliação e consolidação de seu posicionamento regional.”

A ascensão de Pimentel coincide com debates sobre uma revisão mais ampla dos sinais econômicos que impulsionam a expansão da matriz energética. Diante da expansão das renováveis intermitentes e da crescente atenção à segurança sistêmica, o setor avalia que o mercado deverá reconhecer de forma mais explícita o valor da capacidade firme, da flexibilidade e da estabilidade operacional fornecidas pelas usinas hídricas.

## Pequenas hidrelétricas buscam protagonismo na nova matriz energética

Apesar do avanço expressivo das fontes solar e eólica, o segmento de PCHs trabalha para reposicionar sua narrativa na agenda da transição energética. A defesa do setor se baseia na combinação de baixa emissão, previsibilidade operacional e suporte à rede elétrica, atributos que ganham destaque na busca por um sistema mais resiliente e sustentável.

Nesse cenário, o debate sobre a remuneração por capacidade e serviços ao sistema se tornou central. A visão predominante entre os executivos do setor é que a comercialização de energia, por si só, já não captura o valor integral que essas tecnologias entregam ao SIN. A reorganização das lideranças associativas ocorre, portanto, em um momento de redefinição do setor elétrico brasileiro, onde atributos como armazenamento, estabilidade, flexibilidade e segurança energética assumem um papel cada vez mais relevante.

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