As usinas hidrelétricas reversíveis surgem como solução fundamental para estabilizar a matriz energética brasileira frente ao crescimento das fontes renováveis, dependendo agora de um novo arcabouço regulatório.
A rápida expansão das energias solar e eólica no Brasil trouxe um novo desafio para o Operador Nacional do Sistema (ONS): como manter a estabilidade da rede diante de fontes com geração intermitente. Nesse cenário, o setor elétrico volta os olhos para as usinas hidrelétricas reversíveis. Consideradas “baterias naturais”, essas estruturas têm se mostrado a alternativa mais promissora para oferecer a flexibilidade e a segurança operativa necessárias para o futuro da matriz nacional.
Para especialistas, o armazenamento por bombeamento não é apenas um complemento técnico, mas uma peça estratégica. O sistema funciona utilizando o excedente de energia em horários de baixo custo para elevar a água a reservatórios superiores, liberando-a para gerar eletricidade exatamente nos picos de demanda. Apesar do consenso sobre a eficiência dessa tecnologia, o setor esbarra em barreiras estruturais que impedem o avanço imediato dos empreendimentos.
Desafios regulatórios e competitividade
Embora empresas como Copel, EMA e Áxia já analisem a viabilidade técnica de diversos projetos, o setor privado clama por uma definição clara do governo. Segundo Diogo Mac Cord, executivo da Copel, o principal entrave não é a tecnologia, mas a ausência de normas que regulem a implementação dessas usinas:
“Mesmo se a gente quiser fazer uma usina reversível, não conseguimos, pois não existem regras claras que contemplem os licenciamentos, o uso de recursos hídricos e a integração com a rede elétrica.”
Além da regulação, o custo de capital figura como um complicador. Com as taxas de juros elevadas, o investimento inicial robusto dessas obras de infraestrutura acaba competindo com outras tecnologias de armazenamento, como as baterias de íon-lítio, que possuem tempos de instalação mais curtos.
Atributos superiores das usinas de bombeamento
Apesar da concorrência, órgãos reguladores defendem que as hidrelétricas reversíveis possuem vantagens imbatíveis no longo prazo. O diretor da Aneel, Gentil Nogueira, aponta que o diferencial está na durabilidade e na diversidade de serviços prestados:
“Uma usina reversível pode operar por cerca de 100 anos, entregando simultaneamente energia, potência, flexibilidade operativa e inércia para o sistema, benefícios que são essenciais para uma rede cada vez mais renovável e menos centralizada.”
O debate avança à medida que a EPE (Empresa de Pesquisa Energética) estuda o potencial de aproveitar a estrutura de usinas com concessões prestes a vencer para implementar sistemas reversíveis. O próximo passo, defendido por agentes do mercado, é a criação de leilões de armazenamento neutros em tecnologia, capazes de equalizar os custos e permitir que o Brasil aproveite suas vantagens geográficas para consolidar uma rede elétrica mais inteligente e resiliente.























