Com o aumento exponencial dos veículos elétricos, o governo chinês corre para criar normas que regulem o descarte e a reciclagem de baterias, evitando crises ambientais.
A China está estruturando um novo conjunto de normas para organizar e padronizar o setor de reciclagem de baterias de veículos elétricos (VEs). A medida, anunciada pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (Miit), é uma resposta direta à crescente demanda por soluções sustentáveis diante da previsão de um grande volume de baterias que atingirão o fim de sua vida útil nos próximos anos.
Segundo Wang Peng, diretor do Departamento de Conservação de Energia e Utilização Integral do Miit, a falta de uma regulação abrangente estimulou o surgimento de um mercado paralelo de reciclagem. “A iniciativa legislativa visa abordar os potenciais riscos ambientais e de segurança decorrentes de um mercado paralelo não regulamentado, onde muitas baterias descartadas não são devidamente tratadas devido à falta de leis administrativas abrangentes”, explicou o executivo durante um fórum do setor.
Desafio logístico e ambiental
O país enfrenta um cenário desafiador. Em abril de 2026, os veículos de nova energia (NEVs) representaram mais de 53% das vendas totais de automóveis no mercado chinês, um avanço significativo em comparação aos anos anteriores. Esse sucesso comercial gera um efeito colateral: a estimativa é que o volume de baterias descartadas salte para mais de 1 milhão de toneladas anuais até 2030, ante as 380 mil toneladas registradas no ano passado.
Hoje, apenas uma pequena parcela — menos de 30% — do material descartado é processado por meio de canais oficiais e seguros. Para reverter esse quadro, o governo chinês já iniciou debates técnicos e consultas com especialistas para consolidar um sistema robusto de gestão.
Próximos passos da legislação
Embora medidas provisórias tenham sido adotadas no início deste ano para cobrir lacunas imediatas, o objetivo final é mais ambicioso. As autoridades chinesas planejam estabelecer um marco legal completo e um ecossistema sustentável para o reaproveitamento desses componentes até o final de 2027.
Além das novas leis, o país também intensificou a fiscalização contra operações de desmonte ilegal e negociação clandestina de peças. A expectativa é que, com o novo regramento, a China não apenas mitigue os riscos de contaminação, mas também fortaleça a economia circular voltada para a transição energética.






















