O Brasil projeta atingir 1 GWh em sistemas de armazenamento de energia em 2026, enquanto o mercado global avança rapidamente, superando 200 GWh em novos projetos instalados.
O setor de energia limpa no Brasil observa com atenção o crescimento dos BESS (Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias), que se consolidam mundialmente como uma solução estratégica para otimizar o uso de fontes renováveis. Apesar do avanço global — que deve superar a marca de 300 GWh em novos empreendimentos ainda este ano —, o mercado doméstico ainda enfrenta desafios estruturais.
Segundo especialistas da ABSAE (Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia), o país caminha para atingir 1 GWh de capacidade instalada até 2026. Embora seja um passo importante, o volume é considerado tímido frente ao potencial das baterias para mitigar problemas como o vertimento de energia e o déficit de potência no SIN (Sistema Interligado Nacional).
A barreira regulatória e o caminho para o crescimento
Para que essa tecnologia ganhe escala, lideranças do setor apontam que a ausência de políticas públicas robustas continua sendo o principal entrave. O presidente do conselho da ABSAE, Markus Vlasits, defende que a expansão depende de um tripé fundamental: sinal de preço adequado, contratações específicas e uma regulação clara que proporcione segurança jurídica aos investidores.
“A tecnologia não é uma solução mágica nem uma promessa distante, mas uma infraestrutura concreta, disponível e necessária para garantir um sistema elétrico mais econômico, flexível, seguro e eficiente”, afirmou Fabio Lima, diretor-executivo da associação.
O cenário atual mostra que, com exceção de projetos específicos, como o desenvolvido pela ISA Energia em Registro (SP), a maioria das baterias operando no Brasil ainda não atua de forma sistêmica na rede. Enquanto isso, o segmento “atrás do medidor” cresce de forma pulverizada, focando na redução de custos para consumidores comerciais e industriais.
Lições do mercado internacional e próximos passos
A experiência no Chile, compartilhada por Fábio Bortoluzo, da Atlas Renewable Energy, serve como termômetro do que é possível alcançar. Com 800 MWh em operação no país vizinho, os sistemas chilenos demonstram como as baterias estabilizam a frequência da rede e reduzem a volatilidade dos preços, mitigando o impacto do curtailment (corte de geração).
O desafio brasileiro para atrair investimentos, segundo os executivos, passa pela adequação da Lei 15.269/2025 e do Reidi (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura). A falta de clareza na alocação de custos e incentivos fiscais limita a viabilidade de grandes projetos de armazenamento, que são vistos como essenciais para a transição energética nacional.
No campo tecnológico, empresas como a Huawei já aplicam no Brasil soluções de Grid Forming (GFM) em setores que vão do agronegócio ao off-grid. A expectativa é que, com o aprimoramento das normas pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), o país consiga, enfim, destravar o uso das baterias como um motor de eficiência e competitividade para o sistema elétrico nacional.





















