Oceano precisa entrar no centro do planejamento econômico do Brasil

Oceano precisa entrar no centro do planejamento econômico do Brasil
Crédito: Divulgação/Instituto Clima e Sociedade (iCS)
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Oceano no centro da economia brasileira: um chamado para a ação e o desenvolvimento sustentável.

A economia azul, que engloba as atividades econômicas relacionadas aos oceanos, detém um potencial imenso para impulsionar o desenvolvimento do Brasil e, ao mesmo tempo, contribuir para a mitigação das emissões de gases de efeito estufa. No entanto, apesar de o país possuir uma das maiores áreas contínuas de manguezais do mundo, essenciais para o sequestro de carbono e proteção costeira, esses valiosos ecossistemas ainda não ocupam o lugar de destaque que merecem no planejamento econômico nacional.

Um estudo recente do Instituto Clima e Sociedade (iCS) aponta que o Brasil tem uma dependência significativa de sua zona costeira para o desenvolvimento de setores como turismo, pesca, transporte marítimo e geração de energia. A zona litorânea abriga cerca de 18% da população brasileira, e ecossistemas como os recifes de coral, especialmente no Nordeste, apresentam um potencial econômico anual superior a R$ 7 bilhões apenas com atividades de turismo e recreação. O estudo ressalta a urgência de integrar o oceano à “economia real”, reconhecendo-o como um motor econômico vital para o país.

A Urgência de uma Abordagem Integrada para a Economia Azul

Especialistas e agentes dos setores público e privado reuniram-se em São Paulo, durante a Brazil Climate Investment Week 2026, para debater a necessidade de superar o “isolamento científico” em torno dos oceanos. A proposta é posicionar o oceano como um regulador climático fundamental, com um papel decisivo na descarbonização global, potencialmente superando até mesmo outros biomas brasileiros. A falta de uma abordagem integrada tem limitado a plena exploração do potencial da economia azul no Brasil.

Sebastian Troeng, diretor executivo da Conservation International, destacou a importância deste momento para o Brasil consolidar sua liderança global em sustentabilidade oceânica, especialmente com a realização da Conferência da Década do Oceano da ONU em 2027. Ele enfatizou que o oceano é parte central do patrimônio nacional e um dos principais motores ambientais e econômicos do país, uma visão que precisa ser cada vez mais compreendida e incorporada nas políticas públicas e estratégias de investimento.

Superando o Déficit de Financiamento e Desenhando o Futuro

Um dos principais gargalos apontados durante o evento foi o expressivo déficit de financiamento para o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 (ODS 14), que visa a conservação e o uso sustentável dos oceanos. Relatórios indicam a necessidade de cerca de US$ 175 bilhões anuais para alcançar a meta até 2030, mas os recursos mobilizados ficam muito aquém desse valor. Entre 2015 e 2019, apenas US$ 10 bilhões foram destinados ao ODS 14.

“Às vésperas de importantes conferências internacionais, o Brasil atravessa um momento decisivo para consolidar sua posição como referência global em sustentabilidade oceânica”, afirmou Sebastian Troeng. A necessidade de estruturar e qualificar projetos para torná-los aptos a investimento é crucial para destravar o financiamento em escala.

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Piera Tortora, coordenadora do programa Oceanos Sustentáveis para Todos da OCDE, ressaltou a importância de melhorar a governança, fortalecer a tomada de decisão baseada em evidências e aumentar a resiliência dos ecossistemas marinhos. Ela destacou o interesse crescente no tema, mas alertou que é preciso um esforço conjunto e cooperação global para garantir que os avanços na governança internacional dos oceanos continuem e se aprofundem.

O Oceano como Pilar de Resiliência e Sustentabilidade

As mudanças climáticas já impactam significativamente as cadeias produtivas, o turismo, os estoques pesqueiros, a infraestrutura e as comunidades locais. Eventos como o aumento do nível do mar e tempestades extremas afetam moradias, estradas e serviços públicos. Para mitigar esses efeitos, especialistas apontam para a combinação de restauração de ecossistemas, Soluções baseadas na Natureza (SbN), infraestrutura adaptada e planejamento territorial.

Além disso, os sistemas alimentares costeiros e oceânicos são vitais para a segurança alimentar de milhões de pessoas. A pesca artesanal e a aquicultura enfrentam pressões crescentes devido às mudanças climáticas, mas também surgem oportunidades para modelos de produção mais sustentáveis, manejo baseado em ciência e inovação em aquicultura de baixo impacto.

A velejadora e escritora Tamara Klink ressaltou a importância da conexão emocional com o oceano: “É difícil ter empatia pelo oceano quando a gente conhece tão pouco. Muita gente ainda vê o mar só como água, como paisagem. O que quase não aparece é que, em cada gota de água do mar, existem milhões de seres vivos — e sem eles a vida no planeta não existiria”.

O encontro reforçou a necessidade de desenvolver projetos com dados robustos e monitoramento contínuo, garantindo segurança para investidores e embasando políticas públicas mais eficazes. A produção e o uso de evidências científicas foram amplamente defendidos como elementos transversais para impulsionar a economia azul e garantir um futuro mais sustentável para o Brasil e seus vastos recursos marinhos.

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