Setor de energia elétrica em ebulição: Abraget defende leilão de capacidade em meio a contestações judiciais e debate sobre o futuro da geração.
O cenário energético brasileiro vive um momento de alta tensão com a reação da Associação Brasileira Geradoras Termelétricas (Abraget) frente às contestações judiciais que cercam o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) de 2026. Em um manifesto divulgado nesta terça-feira (19/5), a entidade saiu em defesa do certame, que garantiu a contratação de 19 GW, com forte presença de usinas termelétricas a gás natural.
A publicação conta com o endosso de personalidades de peso no setor, como o ex-ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, o ex-diretor do ONS, Luiz Carlos Ciocchi, e o ex-presidente da EPE, Reive Barros. O documento visa refutar as alegações de que o LRCAP possa resultar em um aumento das tarifas de energia para os consumidores.
Estudo aponta economia bilionária com o LRCAP
Um estudo da Thymos Energia, citado pela Abraget, sugere que o leilão tem o potencial de evitar custos na ordem de R$ 970 bilhões, que seriam gerados por eventuais blecautes e racionamentos no sistema elétrico. A associação ressalta que a confiabilidade do sistema é um serviço público essencial, e o LRCAP tem como objetivo assegurar o fornecimento contínuo de energia, 24 horas por dia.
Além disso, a entidade defende a recente revisão dos preços-teto estabelecidos para a concorrência no leilão. Segundo a Abraget, essa atualização reflete a variação de custos na cadeia de suprimentos global, especialmente para turbinas e serviços, e também incorpora novos requisitos de flexibilidade exigidos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
Judicialização e o futuro da homologação
Enquanto o debate sobre os resultados do leilão se intensifica nos tribunais, o diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Fernando Mosna, optou por não pautar a homologação do certame para a reunião de diretoria desta terça (19/5). Mosna, no entanto, sinalizou que a judicialização não representa, por si só, um impedimento para a homologação, e que uma reunião extraordinária poderá ser convocada caso não surjam decisões judiciais desfavoráveis.
Baterias: aliadas ou substitutas?
O manifesto da Abraget também se debruça sobre o papel das tecnologias de armazenamento, como as baterias, no futuro do sistema elétrico. A associação questiona a capacidade dessas soluções em substituir integralmente as usinas termelétricas e hidrelétricas para garantir a confiabilidade. O documento argumenta que armazenadores não geram energia, e, portanto, não evitariam blecautes ou racionamentos.
A entidade também levanta preocupações sobre a durabilidade e os custos de manutenção a longo prazo das baterias, além de questionar se elas atendem aos requisitos básicos de confiabilidade exigidos pelo sistema, que demandam operação por períodos mais extensos do que a descarga típica de uma bateria, geralmente de quatro horas. A disputa pelo espaço na matriz energética, entre a geração firme de térmicas e hidrelétricas e o armazenamento por baterias, parece estar apenas começando.






















