A Equatorial Energia consolidou um desempenho operacional positivo no início de 2026, impulsionado pelo crescimento do mercado fio e por uma gestão eficiente na distribuição, que compensaram desafios enfrentados no segmento de geração renovável.
A gigante do setor elétrico encerrou o primeiro trimestre de 2026 com indicadores robustos em sua operação principal. O volume de energia no mercado fio B apresentou um salto de 3,8% em base anual, atingindo 14.273 GWh. Esse movimento foi determinante para elevar a margem bruta da companhia em 11,2%, alcançando R$ 4,6 milhões, com uma contribuição expressiva de R$ 198 milhões vinda especificamente do segmento de distribuição.
Os dados operacionais revelam um cenário de transição no perfil de consumo: enquanto a carga dos clientes cativos recuou 1,71%, o mercado livre seguiu em expansão acelerada, com alta de 9,6% no volume de energia. Além disso, a Equatorial conseguiu manter a trajetória de queda nas perdas de energia, reduzindo o índice em 0,2 pontos percentuais, mesmo em um período marcado pela ampliação de sua base de consumidores.
Desafios na geração e impactos do Curtailment
Embora a distribuição tenha tido um trimestre forte, a Echoenergia, braço de geração da companhia, enfrentou obstáculos técnicos e financeiros. O volume de energia restringido, conhecido como curtailment, somou 181,4 GWh entre janeiro e março, um incremento de 11,8% frente ao mesmo intervalo de 2025.
O impacto financeiro dessa restrição foi acentuado, saltando para R$ 33 milhões. Segundo a empresa, a pressão nos números decorre da maior incidência de cortes em parques solares, somada a um cenário de preços de liquidação de diferenças (PLD) mais elevados. Como resultado, a Echoenergia encerrou o período com prejuízo de R$ 113,6 milhões.
“O aumento no impacto financeiro do curtailment reflete, em grande parte, a combinação entre a maior restrição operacional em ativos fotovoltaicos e a volatilidade do PLD observada ao longo do primeiro trimestre”, pontuou a administração da Equatorial.
Resultado consolidado e perspectivas
No consolidado, a Equatorial Energia reportou uma receita operacional líquida de R$ 12,7 bilhões, um crescimento de 12% em comparação ao início do ano anterior. O Ebitda ajustado acompanhou esse ritmo, atingindo R$ 2,6 bilhões — uma expansão de 11,3%. Já o lucro líquido da holding fechou em R$ 359 milhões, mantendo estabilidade com uma leve variação negativa de 0,1%.
Apesar do desafio específico nas renováveis, a solidez dos resultados em distribuição coloca a companhia em uma posição resiliente para o restante de 2026. A estratégia de longo prazo continua focada na eficiência operacional e na gestão da rede, visando mitigar os riscos inerentes à variabilidade climática e às restrições do sistema de transmissão que afetam o setor de energia como um todo.






















