Bahia se destaca em relatório global como polo de energia renovável constante e acessível, graças à integração com sistemas de armazenamento em baterias.
O estado da Bahia emergiu como um protagonista no cenário global de energia renovável, conforme evidenciado por um recente relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena). A pesquisa sublinha a capacidade de projetos híbridos, que combinam energia solar com sistemas de armazenamento em baterias, de fornecer eletricidade ininterrupta a custos cada vez mais competitivos. Essa modalidade tem o potencial de desafiar a hegemonia das usinas termoelétricas fósseis.
A consolidação da Bahia como um centro de excelência em energias renováveis “firmes” – termo utilizado para descrever a capacidade de fornecimento constante – é um marco significativo. A região, beneficiada por sua alta incidência solar, demonstra que a combinação de fontes intermitentes com tecnologias de armazenamento é a chave para garantir confiabilidade no suprimento energético, um argumento historicamente usado contra as renováveis.
Energia Constante e Competitiva: O Novo Paradigma
O estudo da Irena projeta que sistemas solares integrados a baterias em áreas com excelentes recursos, como a Bahia, Índia, Austrália e África do Sul, atingiram um custo de fornecimento de energia entre US$ 65 e US$ 82 por MWh em 2025. As previsões indicam uma redução adicional, com valores possivelmente caindo para a faixa de US$ 44 a US$ 58 por MWh até 2030.
Esses custos se aproximam, e em muitos casos, já superam as novas usinas de combustíveis fósseis. Para contextualizar, a Irena compara os projetos híbridos a usinas a carvão na China, que operam com custos entre US$ 70 e US$ 85 por MWh, enquanto novas plantas a gás natural ultrapassam a marca de US$ 100 por MWh em diversos mercados internacionais.
Brasil no Mapa Global de Custos Reduzidos
O relatório posiciona o Brasil favoravelmente no cenário global de custos para energias renováveis híbridas. O país se alinha mais de perto com os mercados de menor custo, distanciando-se daqueles onde desafios como financiamento, conexão à rede e processos de licenciamento ainda representam barreiras significativas para a expansão de projetos híbridos.
Enquanto a China lidera em custos mais baixos para solar com armazenamento, chegando a cerca de US$ 30 por MWh em certas condições, os Estados Unidos se destacam como uma exceção entre as grandes economias renováveis. Nesses, custos de financiamento mais elevados e maior complexidade regulatória encarecem os empreendimentos.
Eólica Híbrida e a Complementaridade das Fontes
Para a geração eólica combinada com baterias, o Brasil figura ao lado de países como Alemanha e Austrália, com custos atuais entre US$ 88 e US$ 94 por MWh. Contudo, a expectativa é de uma queda para até US$ 49 por MWh até o final da década.
A Irena ressalta que, embora a geração eólica possa demandar maior volume de armazenamento devido a períodos de menor produção, a combinação com a energia solar mitiga essa necessidade. A complementaridade natural dos perfis de geração dessas duas fontes reduz a dependência de grandes sistemas de armazenamento, diminuindo o custo total do projeto, um fator crucial para nações com alta penetração de renováveis como o Brasil.
Flexibilidade, Acesso e Velocidade de Implantação
Os sistemas híbridos de renováveis e armazenamento, ou “renováveis firmes”, ganham relevância em um contexto de crescente demanda por fornecimento contínuo. Essa necessidade é impulsionada por setores como data centers e aplicações de inteligência artificial.
As soluções híbridas otimizam a utilização de conexões de transmissão, permitem o deslocamento da geração para horários de maior valor econômico e reduzem a exposição à volatilidade dos preços dos combustíveis fósseis. Além disso, a tecnologia de baterias facilita a expansão da energia renovável a partir de pontos de conexão já existentes, adiando a necessidade de investimentos em infraestrutura de transmissão.
Um aspecto notável é a rapidez na implantação. Projetos híbridos de solar, eólica e baterias podem ser concluídos em prazos de um a dois anos após a obtenção das licenças e da conexão à rede, superando o cronograma de novas usinas fósseis em muitos mercados.
A Queda Acelerada nos Custos das Baterias Impulsiona a Competitividade
A ascensão da competitividade das “renováveis firmes” é diretamente atribuída à drástica redução nos custos de instalação de energia solar, eólica e, notavelmente, de sistemas de armazenamento em baterias. Desde 2010, os custos da energia solar fotovoltaica caíram 87%, a eólica onshore recuou 55%, e o armazenamento em baterias despencou 93%.
Pesquisas recentes indicam que os custos de sistemas de baterias já sofreram uma redução de cerca de 30% apenas em 2025. As projeções da Irena apontam para quedas adicionais de aproximadamente 30% até 2030 e de 40% até 2035. Em locais com os melhores recursos solares e eólicos, o custo da energia renovável firme poderá ficar abaixo de US$ 50 por MWh até 2035.
O complexo solar de Al Dhafra Solar PV, nos Emirados Árabes Unidos, é um exemplo concreto dessa viabilidade. Com 5,2 GW de geração solar e 19 GWh de armazenamento em baterias, o projeto entrega 1 GW de energia firme a um custo próximo de US$ 70 por MWh, equiparando-se a grandes usinas termoelétricas fósseis.






















