A Engie se prepara para um leilão de baterias ainda em 2026, com potencial de contratar entre 2 GW e 5 GW, enquanto defende a manutenção dos parâmetros atuais de precificação do mercado.
A gigante do setor de energia, Engie Brasil, demonstrou otimismo quanto à realização de um leilão de sistemas de armazenamento de energia, popularmente conhecidos como baterias, ainda em 2026. A companhia já está desenvolvendo um portfólio de projetos com vistas a participar do certame, que, em sua estimativa, poderá movimentar entre 2 e 5 gigawatts (GW) de capacidade.
Embora o Ministério de Minas e Energia (MME) tenha sinalizado a intenção de promover um leilão de reserva de capacidade (LRCap) voltado para essa tecnologia, a ausência de diretrizes claras para a concorrência gera incertezas sobre a sua viabilidade ainda neste ano. Guilherme Ferrari, diretor de Energias Renováveis e Armazenamento da Engie, expressou confiança durante uma teleconferência de resultados do primeiro trimestre: “Nós estamos desenvolvendo uma carteira de projetos onde a gente possa desenvolver as baterias. Existem muitas indefinições, mas a gente acredita que deve sim acontecer neste ano, um volume entre 2 GW e 5 GW como está sendo aventado no mercado.”
Defesa do CVaR e o Impacto na Precificação
Paralelamente, a Engie utilizou o encontro para defender a atual metodologia de precificação do mercado de energia, especificamente os parâmetros de aversão ao risco (CVaR). Marcos Keller, diretor de Gestão e Comercialização de Energia da empresa, avaliou que o modelo vigente reflete de forma “realista” as necessidades operacionais do sistema elétrico, minimizando despachos fora da ordem de mérito.
“Isso significa que nós conseguimos representar no modelo de preço a versão ao risco do operador e, por consequência, conseguimos ter uma operação de precificação mais adequada à operação do sistema”, afirmou Keller. Ele reconheceu que o sistema, por depender de fontes de energia intermitentes como água, vento e sol, naturalmente exibe volatilidade nos preços de mercado.
Keller também ponderou que qualquer alteração nos parâmetros do CVaR poderia, inicialmente, resultar em uma redução nos preços. No entanto, ele alertou que isso poderia levar a um aumento nos encargos do sistema, cujo custo, em última instância, recai sobre o consumidor.
Desempenho Operacional e Financeiro em Destaque
No primeiro trimestre, a Engie registrou um aumento de 8,4% em sua geração média, atingindo 5.840 MW médios. A geração hídrica, em particular, apresentou um crescimento significativo, impulsionado por fatores operacionais e pela incorporação das usinas Santo Antônio do Jari e Cachoeira, adquiridas no segundo semestre de 2025. A geração eólica e solar somou 1.035 MW médios, mesmo com um corte de produção de 17% nos parques da empresa.
A empresa mantém sua estratégia de venda gradual de energia, visando mitigar riscos associados ao Preço de Liquidação das Diferenças (PLD). Atualmente, 31% de sua energia disponível permanece descontratada. O trimestre também foi marcado por um expressivo aumento de 34,6% no número de clientes livres, alcançando 2.434 consumidores.
Em termos financeiros, o lucro líquido da Engie no período foi de R$ 792 milhões, com uma receita operacional líquida de R$ 3,4 bilhões, um acréscimo de 13,1% em relação ao ano anterior. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) alcançou R$ 2,2 bilhões, um crescimento de 10%. A participação da Transportadora Associada de Gás (TAG) contribuiu para o Ebitda, embora com uma redução em relação ao ano anterior, reflexo de um momento de revisão tarifária da transportadora, conforme explicado por Leonardo Depiné, diretor de Relações com Investidores da TAG. Ele indicou que ajustes futuros podem ocorrer após a conclusão dessa revisão.






















