Auren supera desafios e fecha trimestre com balanço positivo em modulação e cortes de geração.
A Auren Energia demonstrou notável resiliência em seu primeiro trimestre de 2026, ao registrar, pela primeira vez, uma compensação integral dos impactos do curtailment através de ganhos de modulação em seu portfólio. O período foi marcado por intensa volatilidade de preços, condições hidrológicas desfavoráveis e um mercado livre de energia com liquidez reduzida.
A companhia anunciou ganhos de modulação de R$ 97 milhões entre janeiro e março, um valor que superou as perdas de R$ 86 milhões causadas pelos cortes na geração de energia renovável. O CEO Fábio Zanfelice destacou o resultado líquido positivo de R$ 11 milhões como um reflexo da força e diversificação do portfólio da Auren. Ele enfatizou que este foi um marco significativo para a empresa, evidenciando sua capacidade de adaptação às dinâmicas do setor.
Mudanças no Mercado Energético Impulsionam Ganhos
A estratégia de modulação da Auren se beneficiou das alterações no perfil horário de preços do setor elétrico. O Preço da Liquidação das Diferenças (PLD) médio do trimestre atingiu R$ 308/MWh, o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior, com a volatilidade de preços saltando para 45%. A ascensão da micro e minigeração distribuída (MMGD) tem impactado os preços, elevando-os nos horários de pico e, consequentemente, favorecendo ativos mais flexíveis, como as usinas hidrelétricas.
“Observamos uma clara mudança no perfil do PLD, o que beneficia aqueles com portfólios diversificados”, comentou Zanfelice. Ele ressaltou o crescente desempenho das usinas hidrelétricas em termos de modulação, assim como a captura de benefícios por parte de alguns ativos eólicos devido aos cortes concentrados no período diurno.
Perfil do Curtailment e Liquidez em Foco
Apesar do volume de curtailment permanecer similar ao do ano anterior, houve uma alteração na composição desses cortes. Cerca de 53% foram motivados por razões energéticas, um aumento expressivo em relação aos 20% do ano anterior, o que a companhia atribui ao avanço da MMGD e à consequente sobra de energia durante o dia.
O curtailment médio nos ativos eólicos e solares da Auren situou-se em 14,9% e 16,4%, respectivamente, alinhado com a média do Sistema Interligado Nacional (SIN). A empresa aponta que o custo para recompor essa energia no mercado livre tem sido significativamente menor que o PLD médio, mitigando o impacto financeiro.
A Auren também comentou sobre a piora na liquidez do mercado livre, atribuindo os preços futuros elevados a um prêmio de risco. A combinação de estresse financeiro em agentes do mercado e menor apetite por negociação tem restringido a atividade comercial. No entanto, a companhia mantém uma perspectiva positiva para o restante do ano, antecipando uma melhora hidrológica no Sul do país.
A empresa continua com uma estratégia de longo prazo de estar descontratada, com aproximadamente 30% de seu portfólio sem contratos até 2030, apostando em preços futuros mais elevados.
Resultados Financeiros e Perspectivas
No primeiro trimestre de 2026, a Auren reportou um prejuízo líquido de R$ 601 milhões, contrastando com o lucro do mesmo período de 2025. A receita líquida apresentou um leve aumento de 4,1%, totalizando R$ 3 milhões, enquanto o Ebitda ajustado caiu 23%, impactado pela menor geração hidrológica, eólica e solar.
O CFO Matheus Ferreira mencionou um desempenho inferior da comercializadora em comparação ao ano anterior, devido à ausência de ganhos significativos com diferenças de preços entre submercados. Contudo, a gestão de custos e os ganhos de modulação foram pontos positivos. As despesas operacionais cresceram 3,8%, abaixo da inflação acumulada.
A dívida líquida da empresa diminuiu em R$ 135 milhões, com alavancagem de 5,2 vezes. A Auren reitera a expectativa de estabilidade na alavancagem para 2026 e uma redução mais acentuada a partir de 2027, demonstrando um planejamento financeiro consistente para o futuro.






















