Supermercados em alta: março 2026 bate recordes de consumo
O setor supermercadista brasileiro apresentou um crescimento notável no primeiro trimestre de 2026. Somente no mês de março, o consumo foi significativamente maior, superando os números de fevereiro do mesmo ano e de março do ano anterior.
Por Flávia Albuquerque – SP
Desempenho do Consumo nos Supermercados
O consumo em supermercados registrou uma alta de 1,92% no primeiro trimestre de 2026. Essa informação foi divulgada pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) em seu balanço mais recente.![]()
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Especificamente no mês de março, o volume de compras dos consumidores aumentou 6,21% em comparação com fevereiro. Ao comparar com março do ano passado, o crescimento foi de 3,20%.
É importante destacar que todos os dados foram ajustados pela inflação (deflacionados) utilizando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA/IBGE) e consideram todos os tipos de supermercados, desde pequenos mercados até grandes hipermercados, garantindo uma análise abrangente.
Fatores por Trás do Aumento em Março
A Abras explicou que o “salto” no consumo em março pode ser atribuído a dois fatores principais:
- Antecipação de Compras para a Páscoa: A celebração da Páscoa, que ocorreu no início de abril, levou os consumidores a anteciparem suas compras ainda em março.
- Efeito-Calendário: Fevereiro, por ser um mês com menos dias, naturalmente tem um volume de vendas menor, fazendo com que a comparação com março mostre um aumento percentual maior.
Além disso, a associação ressaltou que a entrada de recursos na economia contribuiu significativamente para esse desempenho. Em março, o programa Bolsa Família beneficiou 18,73 milhões de famílias, injetando R$ 12,77 bilhões. Somaram-se a isso os recursos do PIS/Pasep, que adicionaram cerca de R$ 2,5 bilhões à economia no segundo lote de pagamentos.
Abrasmercado: Um Olhar sobre os Preços
O indicador Abrasmercado, que monitora a variação de preços de 35 produtos essenciais e de largo consumo nos supermercados, registrou uma alta de 2,20% em março.
Nos meses anteriores, as variações de preços haviam sido de +0,47% em fevereiro e uma pequena queda de -0,16% em janeiro. Com a alta de março, o valor médio da cesta de produtos monitorada pelo Abrasmercado passou de R$ 802,88 para R$ 820,54 no mês.
Variação de Preços por Categoria de Produtos
Produtos Básicos:
- Maiores Elevações: O feijão teve a maior alta (+15,40%), seguido pelo leite longa vida (+11,74%). No acumulado do primeiro trimestre, o feijão subiu 28,11%, e o leite longa vida, 6,80%. Outros produtos que subiram foram massa sêmola de espaguete (+0,91%), margarina cremosa (+0,84%) e farinha de mandioca (+0,69%).
- Principais Quedas: Em contraste, observou-se redução nos preços do açúcar refinado (-2,98%), café torrado e moído (-1,28%), óleo de soja (-0,70%), arroz (-0,30%) e farinha de trigo (-0,24%).
Proteínas:
- No grupo das proteínas, os ovos registraram alta de +6,65%. A carne bovina também subiu, tanto no corte do traseiro (+3,01%) quanto no corte do dianteiro (+1,12%). Por outro lado, o frango congelado (-1,33%) e o pernil (-0,85%) tiveram quedas nos preços em março. No acumulado do trimestre, o corte do traseiro de carne bovina acumulou um aumento de 6,29%.
Alimentos In Natura:
- Entre os alimentos in natura (frutas, verduras e legumes), as maiores altas foram do tomate (+20,31%), cebola (+17,25%) e batata (+12,17%). No acumulado do trimestre, esses aumentos são ainda mais expressivos, chegando a 45,43% para o tomate, 14,06% para a cebola e 14,04% para a batata, o que reflete a forte influência da sazonalidade e da dinâmica de oferta e demanda desses produtos.
Visão Geral
Em suma, o primeiro trimestre de 2026 foi marcado por um crescimento robusto no consumo dos supermercados, impulsionado por fatores como a Páscoa antecipada e a injeção de recursos em programas sociais. Embora o consumo geral tenha crescido, o indicador Abrasmercado mostrou um aumento nos preços de produtos básicos, impactando o custo da cesta de compras. Enquanto alguns itens essenciais, como feijão e leite, ficaram mais caros, outros, como açúcar e café, apresentaram queda. As proteínas tiveram um comportamento misto, e os alimentos in natura demonstraram a sensibilidade às condições sazonais, com altas notáveis em vegetais como tomate e cebola.
Créditos: Misto Brasil





















