O setor elétrico brasileiro debate a viabilidade do custeio de sistemas de armazenamento de energia por baterias, com associações alertando que a atual diretriz pode prejudicar novos projetos renováveis.
Conteúdo
- O conflito sobre a alocação de custos
- Impacto na expansão das renováveis
- A busca por um novo paradigma regulatório
- Visão Geral
O conflito sobre a alocação de custos do armazenamento de energia
O cerne da discussão reside no papel das baterias na rede nacional. Atualmente, o entendimento que se busca consolidar no setor é que o armazenamento de energia não é apenas uma ferramenta para melhorar a performance individual de uma usina solar ou eólica, mas um ativo que traz benefícios sistêmicos para todo o Sistema Interligado Nacional (SIN).
As associações Apine, Abeeólica e Absae argumentam que, ao obrigar o gerador a custear integralmente o BESS, cria-se uma barreira econômica desnecessária que desencoraja o investimento em tecnologias essenciais para a transição energética. Se a bateria serve para mitigar gargalos, fornecer serviços ancilares e aumentar a segurança do sistema, o custo deveria ser compartilhado ou remunerado de forma que reconheça esses benefícios sistêmicos.
Impacto na expansão das renováveis e sistemas de armazenamento
Com a intermitência crescente das fontes eólica e solar, o armazenamento tornou-se a “peça que falta” para garantir a confiabilidade do suprimento. Sem um modelo de remuneração ou custeio que considere o armazenamento de energia como parte da infraestrutura da rede, o país corre o risco de frear a penetração dessas fontes renováveis mais baratas e sustentáveis.
A posição técnica das entidades é clara: o modelo atual de alocação impõe um risco desproporcional ao investidor privado. Ao repassar todo o custo dos sistemas de armazenamento para a geradora, o preço final da energia leiloada tende a subir, tornando o projeto menos competitivo. Isso gera um contrassenso em um momento em que a busca global é pela redução das tarifas e pela descarbonização acelerada.
A busca por um novo paradigma para o BESS
O questionamento levantado pela Apine, Abeeólica e Absae exige uma revisão por parte da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A tecnologia de baterias precisa de um marco regulatório que reconheça seu valor multifuncional. Hoje, o BESS pode atuar tanto no deslocamento da curva de oferta — evitando o despacho de térmicas caras — quanto no controle de tensão e frequência da rede.
Para os profissionais do setor, o debate não se trata apenas de “quem paga a conta”, mas de como desenhar um mercado que remunere adequadamente os sistemas de armazenamento. A expectativa é que o parecer jurídico sirva como base para uma ampla consulta pública, forçando o regulador a ponderar que a rigidez atual pode ser o principal entrave para a modernização da nossa matriz elétrica.
Visão Geral
O futuro do setor elétrico no Brasil passa inevitavelmente pela integração do armazenamento de energia em larga escala. No entanto, a implementação desta solução não pode ocorrer à custa da desestabilização financeira dos geradores renováveis. O posicionamento conjunto da Apine, Abeeólica e Absae reforça a urgência de uma política de Estado que trate o BESS como infraestrutura crítica, garantindo que o custo de sua implementação seja distribuído conforme os benefícios que geram para toda a rede.






















