Luz nas Sombras: A Voz dos Sobreviventes
Depoimento Emocionante na Câmara dos Deputados em Memória ao Dia Nacional do Holocausto
Por Sionei Ricardo Leão – DF
Gabriel Waldman, um administrador de empresas de 88 anos e um dos últimos sobreviventes do nazismo, compartilhou seu comovente testemunho no plenário da Câmara dos Deputados, durante a sessão que marcou o Dia Nacional do Holocausto. Sua fala foi recebida com aplausos.
O Relato de Superação e Perda
Waldman relatou que sua família paterna foi completamente exterminada pelos nazistas na Hungria. Ele também mencionou que poucos membros de sua família materna sobreviveram, um detalhe que tocou profundamente os presentes na sessão.
Com a voz embargada, ele refletiu: “Tínhamos muitas possibilidades para morrer e poucas escolhas para viver. Mas tem um detalhe: nós sobrevivemos”. Waldman deixou a Hungria com sua mãe em 1949, em um período em que o país sofria sob o regime totalitário do stalinismo.
Após uma breve passagem pela Áustria, Gabriel e sua mãe chegaram ao Brasil em 1952, quando ele tinha apenas 14 anos.
“Chegamos ao Brasil em condições de indigência, sem parentes, sem amigos, sem escola, com todas as carências possíveis. Foi o único país que nos acolheu”, declarou Waldman, que estava acompanhado de sua esposa, Simona Waldman.
Ele expressou a eterna pergunta que o acompanha: “Eu às vezes me encontro me perguntando por que eu? Eu me formei em administração de empresas e também em filosofia pela USP. Trabalhei em muitos lugares, criei família, mas nada explica porque sobrevivi. Penso que nunca vou encontrar a resposta”.
Um Legado de Prevenção ao Ódio
Momentos depois, o sobrevivente ponderou que talvez o propósito de sua vida seja atuar na prevenção para que o ódio e a discriminação não se manifestem no Brasil e em outros países. Ele enfatizou que isso se aplica a qualquer tipo de preconceito, “não restrito apenas ao que sofrem os judeus”.
Atualmente, a convite da organização Stand With US, Gabriel Waldman, que reside em São Paulo com sua esposa, realiza palestras e seminários. Nessas apresentações, ele compartilha detalhes sobre a crueldade e a perseguição que os judeus enfrentaram na Europa sob o regime nazista.
A sessão em memória ao Dia Nacional do Holocausto foi proposta pelo deputado federal Gilberto Abramo (Republicanos-MG).
“Lembrar esse período trágico representa não é apenas um ato de respeito à memória das vítimas e sobreviventes, mas também um compromisso permanente com a promoção dos direitos humanos, da tolerância e da paz entre os povos”, ressaltou o parlamentar.
Visão Geral
O pronunciamento de Gabriel Waldman, um sobrevivente do Holocausto de 88 anos, na Câmara dos Deputados, em celebração ao Dia Nacional do Holocausto, emocionou os presentes. Ele compartilhou as perdas familiares e as dificuldades enfrentadas ao chegar ao Brasil como refugiado. Waldman reflete sobre o significado de sua sobrevivência e dedica-se a palestras que visam combater o ódio e a discriminação, promovendo a tolerância e a paz. A iniciativa da sessão foi do deputado Gilberto Abramo, que destacou a importância de lembrar o Holocausto como um compromisso com os direitos humanos.
Créditos: Misto Brasil






















