O Banco de Brasília (BRB) e as Aquisições de Carteiras de Crédito do Banco Master: Um Caso de Risco Calculado
O Banco de Brasília (BRB) realizou uma série de aquisições significativas de carteiras de crédito do Banco Master. Entre julho de 2024 e outubro de 2025, o BRB comprou pelo menos R$ 30,4 bilhões em ativos, mesmo após ter identificado sinais de possíveis problemas em parte dessas operações. As informações foram obtidas através da Lei de Acesso à Informação (LAI) e confirmadas em planilhas enviadas pelo próprio BRB à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Substituições e Ativos Problemáticos
Além das compras diretas, o BRB movimentou outros R$ 10,8 bilhões em operações que foram classificadas como “substituições”. Nesse processo, o BRB devolvia carteiras de crédito que considerava carteiras consideradas problemáticas — muitas delas ligadas à Credcesta — e, em troca, recebia novos ativos do Banco Master. A análise das informações revela que uma parte considerável desses ativos substituídos também apresentava baixa qualidade.
Tipos de Ativos Adquiridos
As aquisições, que tiveram início em 1º de julho de 2024, englobaram diversas modalidades de crédito. No varejo, o BRB efetuou 120 compras de carteiras, com a maior parte envolvendo operações envolveu empréstimos consignados da Credcesta, destinados principalmente a beneficiários do INSS, além de carteiras de PIX Crédito, parcelamento de faturas e crédito rotativo. No crédito atacado, as operações se concentraram em Cédulas de Crédito Bancário (CCB), que são títulos utilizados para formalizar dívidas de empresas e pessoas físicas. Entre os envolvidos nessas operações estava o empresário Bruno Lemos Ferrari, CEO da Oncoclínicas. Adicionalmente, foram realizadas 44 aquisições de instrumentos financeiros como Certificados de Depósito Interbancário (CDI), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e fundos diversos, totalizando R$ 8,1 bilhões. Metade desse valor resultou de trocas de ativos considerados problemáticos, realizadas entre maio e o início de agosto de 2025.
Alertas Ignorados
Mesmo diante de alertas internos, o BRB prosseguiu com as operações. Em março de 2025, o próprio BRB já havia identificado que parte das carteiras adquiridas do Banco Master apresentava indícios de fraude. Contudo, as aquisições não foram interrompidas, e o banco público aumentou sua exposição, comprando mais R$ 20,7 bilhões em ativos do Master após essa detecção interna. Um segundo alerta significativo veio em setembro de 2025, quando o Banco Central negou a autorização para que o BRB adquirisse o controle do Banco Master. Apesar da decisão da autoridade monetária, o BRB transferiu mais R$ 1,9 bilhão à instituição. As aquisições seguiram até outubro de 2025, pouco antes do início do processo de liquidação do Banco Master, que era controlado pelo empresário Daniel Vorcaro.
Visão Geral
As aquisições pelo BRB estenderam-se de julho de 2024 a outubro de 2025, período que abrangeu alertas internos e a negativa do Banco Central para a aquisição do controle do Banco Master. Em fevereiro deste ano, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, declarou que o banco estava buscando compradores para a carteira de ativos adquirida do Master. Naquela ocasião, o conjunto de ativos que custou R$ 30,4 bilhões estava avaliado em R$ 21,9 bilhões, evidenciando uma diferença bilionária entre o valor pago e a estimativa de mercado.
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Créditos: Misto Brasil






















