O ONS está em alerta, indicando a manutenção do despacho termelétrico fora da ordem de mérito para o subsistema Sul. A medida visa garantir o suprimento energético diante de condições hidrológicas desfavoráveis, gerando debate sobre custos e a matriz energética.
Conteúdo
- O Conceito de Ordem de Mérito e o Despacho Termelétrico
- As Razões para o Despacho Fora da Ordem de Mérito no Sul
- A Função do ONS e o PMO no Suprimento Energético
- Implicações e Custos do Despacho Fora da Ordem de Mérito
- Diversificação da Matriz Energética e Resiliência do Sistema
- Desafios e Perspectivas Futuras para o Setor Elétrico
- Estratégias para o Subsistema Sul: Reforçando a Segurança Energética
- Visão Geral
O Operador Nacional do Sistema Elétrico ONS está em alerta, e o subsistema Sul do Brasil em foco. Diante das persistentes condições hidrológicas desfavoráveis na região, o ONS indicou que manterá, nas próximas semanas, a avaliação do despacho termelétrico fora da ordem de mérito. Esta sinalização, apresentada no primeiro dia do Programa Mensal da Operação (PMO) de abril de 2026, é crucial para garantir o suprimento energético do Sul, mas acende um debate sobre os custos e a resiliência da matriz brasileira.
O Conceito de Ordem de Mérito e o Despacho Termelétrico
Para entender a decisão do ONS, é preciso mergulhar no conceito de “ordem de mérito“. No setor elétrico, o despacho por ordem de mérito de custo significa acionar as usinas geradoras da mais barata para a mais cara. Tradicionalmente, as hidrelétricas, com seu baixo custo operacional, são as primeiras a serem despachadas, seguidas por eólicas, solares e, por último, as térmicas, que geralmente utilizam combustíveis fósseis e são mais caras.
As Razões para o Despacho Fora da Ordem de Mérito no Sul
Quando o ONS decide pelo despacho termelétrico fora da ordem de mérito, significa que usinas térmicas, que seriam mais caras e, portanto, as últimas a serem acionadas em um cenário ideal, estão sendo chamadas para operar prioritariamente. Essa medida, embora mais custosa, é essencial em momentos de escassez hídrica para garantir que não falte energia e que o sistema se mantenha estável, especialmente em regiões vulneráveis.
As condições hidrológicas desfavoráveis no subsistema Sul têm sido uma preocupação constante. A falta de chuvas ou um regime de precipitações abaixo do esperado impacta diretamente o nível dos reservatórios das hidrelétricas da região, que são vitais para o suprimento energético. Quando as usinas hidrelétricas não conseguem gerar o volume de energia necessário, o ONS precisa buscar outras fontes para compensar a demanda, e as térmicas entram em cena.
A Função do ONS e o PMO no Suprimento Energético
O ONS, como o grande maestro do sistema elétrico brasileiro, tem a responsabilidade primária de garantir a segurança e a continuidade do suprimento energético. Para isso, utiliza o PMO, um instrumento de planejamento que detalha a operação do sistema para o mês seguinte. É no PMO que o ONS avalia os cenários hídricos, a demanda por energia e define quais usinas serão despachadas para atender às necessidades do país.
A manutenção da avaliação do despacho térmico fora da ordem de mérito para o Sul nas próximas semanas indica que a situação hidrológica na região ainda inspira cuidados. Isso significa que, mesmo com um custo mais elevado, o ONS priorizará o acionamento dessas usinas para evitar riscos de desabastecimento, uma preocupação que remonta a crises hídricas passadas, como o racionamento de 2001.
Implicações e Custos do Despacho Fora da Ordem de Mérito
As implicações dessa estratégia são sentidas em todo o setor elétrico. O principal impacto é o aumento dos custos de geração de energia. As térmicas, que muitas vezes utilizam gás natural ou outros combustíveis, têm um custo variável de operação muito mais alto do que as hidrelétricas. Esses custos adicionais são, em última instância, repassados aos consumidores por meio das tarifas de energia, influenciando diretamente o bolso dos brasileiros.
Diversificação da Matriz Energética e Resiliência do Sistema
O debate em torno do despacho fora da ordem de mérito também levanta questões sobre a diversificação da matriz energética e a necessidade de maior resiliência. Embora o Brasil possua uma matriz predominantemente renovável, a dependência excessiva das hidrelétricas em algumas regiões, como o Sul, torna o sistema vulnerável a períodos de seca prolongada. Isso reforça a importância de investimentos em outras fontes, como a energia solar e eólica, e em sistemas de armazenamento de energia.
Encontrar o equilíbrio entre garantir o suprimento e otimizar os custos é o grande desafio do ONS. O acionamento de térmicas fora da ordem de mérito é uma medida de contingência, uma “válvula de segurança” para momentos críticos. Contudo, a frequência e a intensidade desse acionamento revelam a necessidade de um planejamento mais robusto e de investimentos em infraestrutura que minimizem a dependência de tais medidas.
Desafios e Perspectivas Futuras para o Setor Elétrico
A transparência nas decisões do ONS é fundamental para o mercado e para a sociedade. A sinalização no PMO permite que os agentes do setor se preparem para os cenários de custos e suprimento. Em um horizonte de longo prazo, as perspectivas futuras apontam para a necessidade de um sistema mais flexível e diversificado, capaz de absorver as intermitências das energias renováveis e reduzir a dependência das térmicas mais caras.
Estratégias para o Subsistema Sul: Reforçando a Segurança Energética
Para o subsistema Sul, em particular, a situação serve como um lembrete da importância de estratégias regionais que considerem as especificidades hídricas e climáticas. A busca por soluções que reforcem a segurança energética local, como a expansão da capacidade de transmissão e a instalação de geração distribuída, pode contribuir para reduzir a necessidade de acionamentos onerosos de térmicas em momentos de seca.
Visão Geral
Em visão geral, a avaliação contínua do despacho térmico fora da ordem de mérito pelo ONS no Sul é uma medida de prudência e segurança. No entanto, ela sublinha a urgência de fortalecer a matriz energética brasileira com investimentos estratégicos em transmissão, em fontes renováveis complementares e em armazenamento, para que o país possa enfrentar os desafios climáticos e garantir um suprimento energético seguro e com custos mais competitivos para todos.




















