A descarbonização da mobilidade exige a convergência de tecnologias, colocando o Brasil em posição de liderança no uso de combustíveis sustentáveis.
Conteúdo
- Atraso na Descarbonização e Convergência Tecnológica
- Brasil como Referência em Combustíveis Sustentáveis
- Panorama de Investimentos em Baixo Carbono
- Impacto da Legislação e Crescimento do Biometano
- Aportes Significativos no Setor de Hidrogênio
- Ação Estratégica da Coalizão pelos Biocombustíveis
- Visão Geral
Atraso na Descarbonização e Convergência Tecnológica
O setor de transportes globalmente enfrenta um atraso na descarbonização da mobilidade, mesmo com o crescimento da eletrificação. As emissões rodoviárias em 2024 ainda superam em 8% os níveis de 2015, indicando uma trajetória inadequada para metas climáticas. Para reverter este cenário, é crucial a convergência tecnológica, unindo eletrificação, combustíveis sustentáveis como etanol e biodiesel, e novas rotas como biometano, SAF (Combustível Sustentável da Aviação) e hidrogênio. Esta tese de convergência é endossada internacionalmente, como pela Irena (Agência Internacional de Energias Renováveis), que considera o aumento da participação de biocombustíveis vital para combater as mudanças climáticas. A agência projeta que, para limitar o aquecimento a 1,5 ºC, a produção de combustíveis renováveis deve crescer 12% até 2030 e 15% até 2050.
Brasil como Referência em Combustíveis Sustentáveis
Neste contexto, o Brasil se destaca como uma referência mundial por possuir a melhor alternativa sustentável para substituir combustíveis fósseis. Com uma trajetória consolidada, iniciada com o Pró-Álcool e avançando com o Programa do Biodiesel, o país desenvolveu alta eficiência na produção de biocombustíveis, gerando empregos e fortalecendo a economia. Um novo marco é estabelecido com a Lei do Combustível do Futuro, que integra Biogás/Biometano e Combustível Sustentável da Aviação, consolidando o conceito de avaliação ambiental “Berço ao Túmulo”. Esse arcabouço legal visa ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética nacional, solidificando o protagonismo brasileiro no setor de energia limpa e sustentável.
Panorama de Investimentos em Baixo Carbono
Os investimentos em tecnologias de baixo carbono no Brasil são substanciais. O Novo PAC estima um aporte de R$ 30,5 bilhões em projetos de combustíveis de baixo carbono. O BNDES já aprovou R$ 6,4 bilhões em crédito focado em biocombustíveis, especialmente o SAF. A Acelen (Refinaria de Mataripe) e o Fundo Mubadala planejam investir cerca de R$ 12 bilhões na produção de SAF a partir da macaúba. A Petrobras, visando o Programa de Descarbonização do Gás Natural, lançou Chamada de Propostas para aquisição de biometano. Essas iniciativas demonstram um compromisso financeiro robusto com a transição energética e a sustentabilidade do setor de transportes. Acesso a mais informações sobre o setor pode ser encontrado em Portal Energia Limpa (https://go.energialimpa.live/energia-livre).
Impacto da Legislação e Crescimento do Biometano
A Lei do Combustível tem sido um catalisador direto para novos projetos, especialmente no setor de biometano. Dados da ANP mostram um aumento significativo no número de empresas autorizadas e em processo de autorização. Em outubro de 2024, havia 6 empresas autorizadas; atualmente, esse número saltou para 18, com outras 40 em processo, elevando a capacidade instalada para mais de 2,5 milhões de m³/dia de biometano. A Abrema (Associação Brasileira de Empresas de Mercado de Reciclagem e Biometano) projeta investimentos de R$ 8,5 bilhões nos próximos cinco anos para expandir a produção de biometano a partir de resíduos, reforçando a economia circular.
Aportes Significativos no Setor de Hidrogênio
O setor de hidrogênio também atrai bilhões em investimentos. A Fortescue, no Ceará, anunciou um aporte de R$ 17,5 bilhões para produção de hidrogênio verde. Em Minas Gerais, a Atlas Agro destinará cerca de R$ 4 bilhões para a produção de fertilizante nitrogenado verde. Além disso, há um projeto com a European Energy, em Pernambuco, de R$ 2 bilhões para produzir e-metanol destinado a abastecer a navegação marítima de longo curso. A quantidade expressiva de investimentos confirma que os combustíveis renováveis ocupam uma posição central na Política Industrial Brasileira, sendo vistos como vetores estruturantes para o desenvolvimento.
Ação Estratégica da Coalizão pelos Biocombustíveis
Os biocombustíveis são fundamentais para o desenvolvimento devido à sua combinação com a produção de proteínas, Desenvolvimento Regional e a indústria de equipamentos nacionais. Para fortalecer esse papel estratégico, foi criada a Coalizão pelos Biocombustíveis, reunindo Frentes Parlamentares (Agropecuária, Biogás/Biometano, Biodiesel, Etanol) e entidades setoriais importantes como Bioenergia Brasil, Unica e Abiove. Esta aliança monitorará a regulamentação da Lei do Combustível do Futuro e a implementação do Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono (PHBC). As diretrizes incluem segurança energética sem comprometer a produção de alimentos, adoção da avaliação ambiental “do berço ao túmulo” e valorização da economia circular.
Visão Geral
Os biocombustíveis representam a rota mais custo-efetiva globalmente para impulsionar a transição energética, oferecendo uma oportunidade robusta para geração de riqueza e investimento. A convergência de tecnologias sustentáveis — etanol, biodiesel, SAF, biometano e hidrogênio — é a chave para que o Brasil cumpra suas metas de emissão e mantenha sua liderança setorial. É imperativo não abrir mão deste potencial estratégico para a industrialização verde do País.






















