O TCU confirma prejuízo de R$ 340 milhões em Angra 3, apontando responsabilização de ex-gestores e empreiteira por superfaturamento contratual.
Conteúdo
- O Eixo Nuclear Sob Fogo: R$ 340 Milhões em Perdas Confirmadas
- A Dança da Responsabilização
- O Custo Oculto da Inércia Governamental
- Uma Lição para a Geração de Energia Limpa do Futuro
- O Olhar para Frente: Limpeza e Conclusão
- Visão Geral
O Eixo Nuclear Sob Fogo: R$ 340 Milhões em Perdas Confirmadas
A notícia que ecoa nos corredores do setor elétrico brasileiro é um soco no estômago da governança corporativa: o TCU confirma prejuízo de R$ 340 milhões em Angra 3. Para os profissionais de energia, este valor representa mais do que números contábeis; simboliza tempo perdido, capital imobilizado e o custo da ineficiência em um projeto crítico para a matriz limpa do país.
A decisão do Tribunal não é um achado isolado. As auditorias recentes têm focado intensamente na usina, evidenciando um padrão de falhas de gestão. Enquanto o custo final de conclusão da usina é estimado em cerca de R$ 20 bilhões, cada milhão perdido por má gestão afeta a tarifa final que todos os brasileiros pagarão.
A Dança da Responsabilização
O que torna este acórdão particularmente notável é a dura responsabilização aplicada. O TCU não se limitou a identificar o rombo; ele nomeou os atores. A decisão aponta diretamente para ex-gestores da Eletronuclear e para a empreiteira Andrade Gutierrez. Este é um sinal inequívoco de que a fiscalização agora mira nas cadeiras de comando.
As acusações centrais giram em torno de superfaturamento de serviços e o desequilíbrio físico-financeiro dos contratos originais. No nosso setor, onde a previsibilidade é a chave para o investimento em energia limpa, falhas desta magnitude são intoleráveis e demandam rigorosa investigação.
O Custo Oculto da Inércia Governamental
O problema de Angra 3 não é apenas a má gestão pontual, mas a histórica inércia decisória. Outros relatórios recentes do TCU indicam que a demora do governo em definir o futuro da usina resultou em desperdício de mais de R$ 2 bilhões nos últimos anos, apenas em custos de inoperância e preservação.
Isso ilustra um dilema macroeconômico: a energia nuclear, sendo de base e de baixíssima emissão de carbono, é fundamental para a descarbonização. No entanto, a sua execução complexa e custosa exige um ambiente regulatório e de gestão impecável, algo que Angra 3, historicamente, não ofereceu.
As recomendações do Tribunal, que já geraram economia de centenas de milhões em outros momentos, agora buscam sanear as contas corroídas pela má administração passada. A atualização de preços e a redefinição tarifária são citadas como passos necessários para a retomada segura das obras.
Uma Lição para a Geração de Energia Renovável do Futuro
Para a comunidade de energia renovável e nuclear, este evento serve de alerta. A construção de infraestrutura de grande porte, seja hidrelétrica, nuclear ou mesmo parques eólicos de escala massiva, está sob o microscópio dos órgãos de controle.
A gestão de projetos como Angra 3 precisa incorporar governança robusta, digitalização de contratos e auditoria contínua, e não apenas posterior. A transparência não é um diferencial; é um requisito de sobrevivência econômica. O prejuízo de R$ 340 milhões é um peso que será cobrado da eficiência futura.
A responsabilização de ex-gestores e empreiteiras, embora tardia, sinaliza um endurecimento na postura do TCU. A era do “custo Brasil” justificado por atrasos e sobrepreços nos grandes assets energéticos pode estar começando a ser reescrita com a caneta da accountability.
O Olhar para Frente: Limpeza e Conclusão
O desafio agora é garantir que, com a nova gestão e sob a vigilância renovada do TCU, os recursos alocados para a conclusão sejam empregados com a precisão que um projeto nuclear exige. A energia de Angra 3 é vital para complementar a intermitência das fontes solares e eólicas, garantindo a estabilidade da rede elétrica.
No entanto, é crucial separar a tecnologia da má administração. A confirmação do prejuízo de R$ 340 milhões reforça a necessidade de que a Eletronuclear implemente um compliance de nível internacional. Profissionais do setor devem se atentar a esses precedentes, pois eles definem o padrão de risco e retorno para os próximos grandes players de infraestrutura.
Visão Geral
Em suma, a turbulência em Angra 3 mostra que, na transição energética brasileira, a sustentabilidade ambiental anda de mãos dadas com a sustentabilidade fiscal. A lição é clara: erros de gestão custam caro, e o Tribunal de Contas está atento para garantir que o preço seja pago pelos responsáveis pela perda de R$ 340 milhões.























