A ANEEL definiu a receita fixa para Angra 1 e 2 em R$ 4,8 bilhões para 2026, impactando a estrutura de custos do SIN.
Conteúdo
- A Base da Remuneração Nuclear
- Justificativa: Segurança Energética e Custo de Manutenção
- O Dilema da Fonte Base na Transição Energética
- Visão Geral
A Base da Remuneração Nuclear
A receita fixa das usinas de Angra 1 e 2 é um mecanismo regulatório que visa cobrir os custos operacionais, de manutenção e investimentos de capital (Capex) das usinas, garantindo a operação contínua e segura. A definição deste valor pela ANEEL para 2026 reflete ajustes inflacionários e a necessidade de aporte contínuo de capital para a longevidade e segurança dos ativos.
Com o valor fixado em R$ 4,8 bi, a tarifa unitária aplicada a essa receita também foi reajustada, chegando a cerca de R$ 361,56/MWh. Este valor, pago por todos os agentes do Sistema Interligado Nacional (SIN), é o preço da segurança da fonte que não depende de condições climáticas.
Justificativa: Segurança Energética e Custo de Manutenção
A justificativa para o aumento da receita fixa reside, primariamente, na natureza da energia nuclear. Diferentemente das fontes intermitentes, a operação de Angra exige um plano de manutenção e segurança rigoroso, com custos fixos elevados, independentemente do volume de geração efetivamente injetado no sistema em um dado ano.
Enquanto a energia solar e eólica têm custo marginal próximo a zero, o custo de capital e operação da usina nuclear é alto. O reajuste de 17% na receita fixa visa adequar o orçamento da Eletronuclear à realidade inflacionária e às demandas de compliance regulatório e segurança operacional.
Este aumento na base de custo da energia nuclear passa a ser rateado entre os consumidores, um impacto que se dilui pela abrangência do SIN, mas que contribui para a pressão geral sobre a CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) e, consequentemente, nas tarifas.
O Dilema da Fonte Base na Transição Energética
Para o setor, que tem investido pesadamente em energia limpa e sustentabilidade, a manutenção de custos elevados para a fonte nuclear impõe um debate sobre a otimização da matriz. Enquanto Angra garante a base de energia firme, ela representa um custo fixo significativo que precisa ser equilibrado com a crescente competitividade da eólica e da solar.
A previsibilidade da receita fixa de Angra 1 e 2 é crucial para a Eletronuclear, permitindo o planejamento de paradas e modernizações. No entanto, a estrutura de custos de energia nuclear é frequentemente contrastada com as tarifas cada vez menores de novas fontes renováveis.
A decisão da ANEEL de formalizar esse aumento para R$ 4,8 bi em 2026 consolida a energia nuclear como um componente caro, mas indispensável, da segurança energética brasileira no médio prazo. A discussão agora se volta para como os futuros leilões e a abertura de mercado absorverão esse custo fixo garantido, enquanto a matriz caminha para fontes de menor custo marginal.
Visão Geral
A ANEEL aprovou o reajuste da receita fixa das usinas de Angra 1 e 2 para R$ 4,8 bi em 2026, um aumento de 17%, garantindo a segurança e operação contínua dos ativos nucleares. Este custo fixo, essencial para a estabilidade da matriz, será rateado por todos os agentes do SIN, intensificando o debate sobre o papel da energia nuclear frente ao avanço das fontes renováveis na transição energética nacional.






















